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Correio da Manhã

Portugal
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“E se eles se passam?”

Os dois suspeitos do homicídio do torneiro mecânico aguardam a colocação da pulseira electrónica e estão a ser vigiados pela GNR de Ílhavo. Nuno, sobrinho da vítima e da mulher suspeita de ser a mandante do crime, e Rui, amigo de Nuno, estão em prisão domiciliária, na casa que a tia alugou em finais de Dezembro, poucos dias antes do desaparecimento do torneiro mecânico, que viria a ser encontrado morto num local ermo, na noite da passada sexta-feira. Os vizinhos têm medo dos suspeitos.
21 de Janeiro de 2009 às 00:30
Nuno  garantiu ao ‘CM’ não estar envolvido na morte do tio. Na hora do adeus, a família de António Mota não escondia a tristeza
Nuno garantiu ao ‘CM’ não estar envolvido na morte do tio. Na hora do adeus, a família de António Mota não escondia a tristeza FOTO: Sónia Caldas

"Foi a mulher que veio aqui duas vezes para alugar a casa. Disse que era para uns rapazes que iam trabalhar para a Pescanova", disse ao CM a dona da habitação que, agora, vive aterrorizada por dar guarida, no rés-do-chão, a dois suspeitos de homicídio. O marido e os vizinhos partilham os receios, depois de um juiz ter determinado que aquela seria a moradia onde se manteriam em prisão domiciliária. "Já nem durmo por causa desta situação. E se eles se passam da cabeça?"

Apesar de a GNR vigiar a casa, o casal não quer os dois jovens por perto. "A casa está alugada até dia 28 e se não os tirarem daqui, eu ponho--os fora nesse dia", garante a proprietária.

O CM falou com Nuno e Rui. Ambos garantem que não mataram António Mota. "Eu nem conhecia o homem", afirma Rui, de 18 anos. "Não sei como estou metido nisto, a minha tia não me pediu, nem me pagou. Não sei nada sobre a morte do meu tio", acrescenta Nuno.

DOR E REVOLTA NO FUNERAL

António Mota foi a enterrar ontem no cemitério de Ílhavo na presença dos familiares e centenas de amigos. A mãe de António Mota estava inconsolável com trágica morte do filho, torturado até à morte. Os irmãos, entre eles um elemento da GNR, também não contiveram a dor e as lágrimas. Durante as cerimónias fúnebres, os comentários manifestavam o repúdio e a revolta por ter sido, alegadamente, a mulher a mandar matar o marido. "Se ela não o queria, deixava-o", dizia uma amiga do casal. "Ela não o deixava porque queria ficar com a casa", respondia um outro amigo, referindo--se à motivação do crime.

SOGRA DA VÍTIMA JURA QUE FILHA ESTÁ INOCENTE

Os sogros da vítima foram ontem ao funeral do genro. Mantiveram--se perto da família de António Mota, em silêncio. "Eles gostavam muito dele", disse ao CM um familiar do torneiro mecânico. Rosa, mãe da alegada mandante do crime, acredita na inocência da filha. "Ela jura que não mandou matar o marido e é isso que diz aos dois filhos", contou ao CM. Rosa Vidal está em prisão domiciliária em casa dos pais, onde estão também os dois filhos do casal, um rapaz de 11 anos e uma menina de 10. "As crianças estão confusas e abaladas, não percebem nada do que se está a passar", disse a mãe de Rosa. O pai recusa falar sobre a situação mas também esteve junto da família de António Mota no funeral. Uma presença comentada sobretudo pelos amigos e vizinhos do casal.

PORMENORES

MULHER DEGOLADA

Em Viseu, um indivíduo detido por suspeita de homicídio de uma mulher que trabalhava no ramo imobiliário também ficou em prisão domiciliária. O juiz mandou a GNR vigiar a sua casa, até que lhe fosse aplicada a pulseira electrónica.

MESMOS PRESSUPOSTOS

A aplicação da preventiva e da prisão domiciliária obedece às mesmas regras de fundamentação da prova. A escolha entre uma e outra depende do juiz.

MP PEDIU PRISÃO

O procurador do MP pediu prisão preventiva para os quatro suspeitos, mas o actual código não permite recurso.

 

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