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Os advogados de defesa de Marcus Fernandes, acusado de duplo homicídio de dois agentes da PSP da Amadora, vão alegar no Tribunal da Boa-Hora, no próximo dia 9 de Novembro, data do início do julgamento, a inimputabilidade do réu – por ele sofrer de doença mental.
A defesa de Marcus é coordenada por José Maria Martins, o advogado de ‘Bibi’ no processo Casa Pia. Segundo fonte da defesa, os crimes de que o arguido é acusado – cometidos na madrugada de 20 de Março, quando disparou à queima-roupa sobre os agentes Alves e Abrantes – “resultam de problemas do foro psicológico”. De acordo com a mesma fonte, o arguido, agora com 31 anos, foi vítima de um assalto no Rio de Janeiro aos 15 anos. “Foi baleado na face e sofreu muito com isso. Consequentemente, sofre de perturbações mentais”, disse a fonte.
Três anos depois, Marcus, após ter praticado no Brasil um assalto violento que culminou na morte de uma criança de 13 anos, emigrou para a Suíça – onde, segundo a defesa, “recebeu acompanhamento psiquiátrico durante nove anos”.
Nos últimos anos, residia na Póvoa de Varzim, local, onde já tinha pendentes alguns processos-crimes e onde já tinha chegado o processo relativo à criança de 13 anos. “Ele ia ser julgado cá. É filho de emigrantes portugueses no Brasil. A irmã estuda Direito numa Universidade brasileira”, revelou a fonte.
“Vamos mostrar em tribunal a sua inimputabilidade ou a sua imputabilidade diminuída. É fundamental que sejam feitas perícias”, diz a defesa. Marcus está a ser acompanhado na prisão pelo psiquiatra Afonso de Albuquerque”, acrescentou. No primeiro interrogatório, após ter sido detido pela morte dos polícias, Marcus avisou as autoridades que tomava medicamentos antidepressivos.
ARSENAL DE ARMAS DE GUERRA
Um dia após a morte dos agentes da PSP, o luso-brasileiro Marcus Fernandes foi apanhado pela PJ numa casa em Melides, Grândola. Aqui, a PJ deparou-se com um verdadeiro arsenal de armas de guerra, algumas delas encaixotadas. Foram apreendidas dezenas de armas, desde Uzi, Kalashnikov, M16 e uma inédita Desert Eagle. A PJ iniciou logo uma investigação sobre a origem das armas proibidas, suspeitando de ligações ao tráfico de armas nos Balcãs, onde Marcus passou alguns meses.
Em Novembro, o arguido responderá apenas pelo duplo homicídio, já que a PJ optou por separar os processos para acelerar o julgamento. A defesa do arguido afirma que “todas as armas foram adquiridas na Suíça. Ele esteve na Bósnia sim, mas a acompanhar as tropas portuguesas como estudante de Direito”, disse a fonte.
SUSPEITO DE HOMICÍDIO DE CRIANÇA
Marcus Fernandes abandonou o Brasil há treze anos, após um assalto que culminou no assassinato de uma criança. Segundo o CM apurou, Marcus era conhecido pela alcunha de ‘Engenheiro’. Aos 18 anos, Marcus terá planeado um assalto à casa do casal com quem trabalhava na área comercial. Combinou com um comparsa e ambos entraram na casa do casal durante a noite.
Só que os planos não correram como planeado e o assalto terminou com a morte de uma criança de 13 anos, filha dos proprietários da casa. Marcus nunca foi acusado do crime, mas as autoridades brasileiras enviaram o seu processo para o Tribunal da Póvoa de Varzim, onde seria julgado.
No último mês de Março, o arguido foi interceptado por três polícias da Amadora, junto ao Bairro Santa Filomena. Quando os agentes pegaram no seu bilhete de identidade para apurar se havia algum processo pendente com o seu nome, Marcus sacou de uma arma e abriu fogo contra dois dos agentes da PSP. Alves e Abrantes tombaram no chão, mortos.
'HABEAS CORPUS’
O advogado de Marcus Fernandes, José Maria Martins, ainda apresentou o pedido de ‘habeas corpus’ por detenção em local ilegal. Pretendia, assim, que o recluso fosse colocado no regime normal de prisão. Mas o pedido foi recusado e o arguido mantém-se na ala de segurança da cadeia do Linhó, em Sintra, a aguardar julgamento em prisão preventiva.
GREVE DE FOME
Enquanto o advogado do presumível homicida dos dois polícias pedia o ‘habeas corpus’, Marcus protestava contra a ‘estadia’ na ala de segurança com uma greve de fome. A Direcção-Geral dos Serviços Prisionais manteve a posição. “O sector de segurança existe para reclusos com características específicas, incompatíveis com a vivência em grandes grupos”, disse a porta-voz.
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