Sindicato da Construção de Portugal afirmou que houve negligência grosseira na queda da grua nas Fontainhas.
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A empresa que instalou as duas gruas que caíram nos últimos dois meses no Porto vai apresentar uma queixa-crime contra o Sindicato da Construção de Portugal, por este ter afirmado que houve negligência grosseira na queda da grua nas Fontainhas.
Em declarações à Lusa, Maria Ferreira, administradora da empresa Somirav, SA garantiu que a queixa irá ser apresentada, previsivelmente, na próxima semana, considerando que em causa estão declarações por parte do presidente do sindicato, Albano Ribeiro.
"[Declarações] completamente irresponsáveis. Aliás, eu tive logo pessoas que me ligaram, inclusive engenheiros mecânicos, a questionar-se como é que ele teve a petulância de fazer aquelas declarações se nem a engenharia mecânica se atreve a fazê-lo sem dados mais concretos. Ele palpitou", disse Maria Ferreira.
Na segunda-feira, o presidente do Sindicato da Construção de Portugal declarou, em conferência de imprensa, que na origem do acidente nas Fontainhas, a par das "cavilhas [que ligavam a sapata à torre] terem saltado", esteve o facto de se tratar de "uma sapata obsoleta numa grua que há muito anos deveria estar na Siderurgia Nacional".
Segundo Albano Ribeiro, "a situação podia ter sido evitada se não tivesse havido negligência grosseira" e explicou que, "quando se coloca uma grua, tem de se verificar se o lastro está em condições para aguentar a carga", situação que segundo a observação que fez no local "não aconteceu".
A administradora da Somirav, SA garantiu que todos os procedimentos de segurança foram acautelados, pelo que não descarta a hipótese de o acidente de sábado na Rua da Corticeira se ter tratado de uma "sabotagem".
"É muito estranho as duas cavilhas terem saído em simultâneo e, mesmo saindo em simultâneo, com a pressão e o peso ela poderia ficar instável. Estamos a pôr todas as possibilidades", observou.
Num comunicado enviado à Lusa, "de um total de quatro cavilhas destinadas a suportar a estrutura da grua, encontraram-se duas fora do sítio, sem que estas mostrassem sinais de rompimento, quebra ou desgaste, não se conseguindo encontrar qualquer explicação técnica que sustente a movimentação das mesmas em simultâneo".
Para além disso, salienta, "uma das duas cavilhas encontradas fora do sítio, estava colocada, em pé, em cima do chassis da grua e estrutura não partiu, apenas empenou com a queda, o que confirma a sua sustentabilidade".
A Somirav esclarece que a "grua que caiu no passado sábado, dia 20 de abril, é do ano de 2007" e, tal como todos os equipamentos propriedade da empresa, também este "foi objeto de inspeção estática, funcional e dinâmica antes da sua instalação em obra", pelo que prestará toda a colaboração às autoridades para que sejam apuradas as causas da queda desta grua.
"Entretanto, a Somirav não tolera comportamentos de pessoas que, aproveitando a janela da comunicação social, se apressam a fazer juízos de valor acerca das causas da queda das gruas, fazendo-o sem qualquer fundamento e demonstrando, até, manifesta ignorância e, com isso, não se coibirem de colocar em causa o bom-nome e a reputação da Somirav, SA. Neste sentido, será avançada a instauração de queixa-crime contra tais pessoas", refere o comunicado.
A empresa, constituída em 1992, explica ainda que desde esse ano e até ao presente nunca sofreu qualquer acidente com a dimensão dos que ocorreram na cidade do Porto nos últimos dois meses, quando se registaram as quedas de duas gruas.
A queda de uma grua provocou no sábado três desalojados e danos materiais em nove casas, levando a Câmara Municipal do Porto a ordenar a suspensão das licenças para instalação de gruas no espaço público.
Em 10 de fevereiro, uma outra grua caiu na Rua da Torrinha, no Porto, tendo destruído parte do telhado de uma habitação onde residiam duas estudantes, que tiveram de ser realojadas.
De acordo com o resultado das peritagens à queda da grua na Rua da Torrinha, o acidente "deveu-se não a qualquer defeito da grua, mas ao local em que a mesma foi instalada, situação a que é alheia a Somirav, pois não é quem seleciona o local para a sua instalação, nem quem o licencia".
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