Bruno Rosa e Roberto Teixeira perderam o medo e resolveram ir ontem ao posto da GNR de São João da Talha, Loures, denunciar um roubo que sofreram havia poucas horas.
Alunos da escola secundária daquela localidade, os dois jovens ficaram sem as carteiras, roubadas por três rapazes, de etnia cigana, moradores num acampamento construído perto da escola. Mal sabiam os dois jovens que, à mesma hora, 210 militares da GNR, mobilizados na operação ‘Escola Segura II’, faziam cumprir 56 mandados de busca domiciliária no referido acampamento, que acabariam por conduzir à detenção de uma mulher, acusada de tráfico de droga, e à apreensão de armas, droga e ouro.
Em conjunto com as buscas, a operação de ontem serviu ainda para levar a cabo uma ordem da Câmara de Loures, tendente à demolição de 10 barracas construídas ilegalmente.
Intimadas, ao longo dos últimos meses a abandonar as suas casas, as famílias de etnia cigana ali residentes recusaram sempre fazê-lo. Este facto levou a autarquia de Loures a pedir o auxílio da GNR para levar a cabo a demolição compulsiva das habitações.
No entanto, os antecedentes conturbados da zona, bem reflectidos nas marcas de bala encontradas em praticamente todas as paredes e janelas da escola secundária ali situada, levaram o Comando da Brigada 2 da GNR, responsável pela estruturação da operação, a reunir um aparatoso dispositivo.
ENTRADAS BLOQUEADAS
Passava pouco das três da tarde quando todas as entradas da Escola Secundária de São João da Talha foram encerradas. Elementos do Batalhão Operacional da Guarda, armados de pistolas-metralhadoras, vigiavam o trabalho de diversas dezenas de militares vindos de praticamente todos os postos do Grupo Territorial de Loures.
Com o auxílio de cães detectores de droga, cada uma das casas dos dois acampamentos ciganos, situadas no Bairro Resende e na Rua Deputado Pedro Botelho Neves, foi revistada minuciosamente, em busca de artigos suspeitos.
Ao longe, assistindo com ar assustado, os habitantes dos prédios circundantes à zona da operação deixavam bem vincado o receio ganho ao longo de anos de insegurança. “Não podemos falar, porque nunca sabemos quem nos está a ver. Daqui a pouco, quando a GNR se for embora, podemos sofrer as consequências”, contou ao nosso jornal um popular, enquanto se ouvia um coro de insultos dos habitantes do acampamento. Pelas 16h00 começaram a soar os motores das retroescavadoras, empenhadas na demolição das barracas. A controlar a operação a partir do posto da GNR de São João da Talha, o tenente-coronel Ferreira Leite, comandante do Grupo Territorial de Loures, classificava as operações como “altamente necessárias”.
Praticamente um ano depois da primeira operação ‘Escola Segura’, a acção de ontem visou essencialmente “proteger os estudantes e os moradores, alvo de ameaças diárias”, referiu o oficial.
No entanto, o aparato da acção da GNR começava já a causar os primeiros efeitos. Receosos pela sua segurança, funcionários da Junta de São João da Talha alertaram a GNR para uma chamada telefónica ameaçadora, avisando para futuros danos materiais. “O problema só acaba com outras medidas”, lamentou fonte ligada à operação.
Apenas ao final da noite vieram os resultados definitivos. Quinhentas doses de heroína apreendidas, em conjunto com 2,5 quilos de ouro, dez armas de fogo de diversos calibres, 120 cartuchos de calibre 12 milímetros, quatro armas brancas, vestuário contrafeito avaliado em 730 euros e uma viatura ligeira.
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