A bordo do Eikborg estão seis tripulantes e 3.300 toneladas de pasta de papel, oriundas da celulose Celb.
Cargueiro à deriva à saída da barra da Figueira da Foz corre o risco de naufragar
A agitação marítima com tendência para piorar nos próximos dias, estará a impossibilitar o reboque, em segurança, do cargueiro que se encontra à deriva ao largo da Figueira da Foz, disseram fontes empresariais e portuárias.
Em declarações à agência Lusa, o agente em Portugal do armador dos Países Baixos, proprietário do cargueiro Eikborg, que ficou sem leme na manhã desta segunda-feira à saída da barra do porto da Figueira da Foz, manifestou-se "muito preocupado" com a situação do navio nos próximos dias, incluindo um eventual naufrágio.
"Não há reboques e não sabemos o que pode suceder", disse Eduardo Monteiro, da agência de navegação Eurofoz, aludindo ao agravamento das condições marítimas, previsto para as próximas horas e dias, com um aviso amarelo em vigor e ondulação de 4 a 5 metros e um aviso laranja (ondas de 5 a 7 metros, podendo chegar aos 12 metros) a partir das 12h00 de terça-feira até às 07h00 de quinta-feira.
A bordo do Eikborg estão seis tripulantes, todos estrangeiros (o capitão é holandês e há um filipino, um russo, dois indonésios e um letão) e 3.300 toneladas de pasta de papel, oriundas da celulose Celbi, do grupo Altri, que tinham como destino um porto alemão.
Também ouvido pela Lusa, o comandante Luís Távora, diretor operacional da empresa de transportes e reboques marítimos Tinita, de Viana do Castelo -- que foi contactada para auxiliar o Eikborg -- explicou que, no caso em apreço, as condições de mar não permitem que o rebocador oceânico de que são armadores saia do porto de Setúbal, onde se encontra, para ajudar o cargueiro.
"Nós temos um rebocador oceânico [o Castelo de Óbidos] mas não está connosco, está em Setúbal, e é gerido por outra empresa do grupo. E a informação que temos é que não podem sair. E outros contactos que fizemos, até com Espanha, a resposta é toda a mesma", observou.
"Se as condições de mar fossem melhorar, a situação seria outra. Assim, não há condições para os rebocadores existentes, que têm as suas limitações, saírem e efetuarem o serviço", vincou Luís Távora.
Mesmo que o Castelo de Óbidos pudesse sair de Setúbal, demoraria cerca de 14 a 15 horas a chegar à Figueira da Foz, e esse facto também limita as condições de operação, devido ao agravamento esperado do estado do mar.
Questionado se existe, em Portugal, um serviço estatal de rebocadores de salvamento ou de emergência, a exemplo de Espanha, respondeu negativamente.
"Aqui há muitos anos, há mais de 20 anos, falou-se nisso, de poder existir um rebocador, um a norte e outro a sul, dividia-se o país a meio. Mas como sempre, aqui na nossa terra, isto nunca passa do papel", lamentou.
Sobre o que poderá acontecer ao Eikborg durante os próximos três dias no mar, a cerca de 12 milhas náuticas (cerca de 22 km) a sudoeste da Figueira da Foz, local onde atualmente se encontra, com navegabilidade limitada, Luís Távora admitiu que o navio poderá sobreviver "se se conseguir aguentar".
"Se não se aguentar, vai ter problemas. E pode acontecer o que não devia acontecer [um naufrágio], mas esperamos que aconteça o melhor", antecipou, garantindo que a mesma situação, em Espanha, seria improvável de suceder.
"Espanha tem uma rede de rebocadores de salvamento que são do Estado, estava resolvido o problema", afiançou Luís Távora.
Entretanto, a Marinha portuguesa deslocou para o local onde o Eikborg se encontra o navio patrulha oceânico Figueira da Foz, "para fazer um acompanhamento próximo da situação", disse à Lusa o comandante Ricardo Sá Granja, porta-voz da Marinha e Autoridade Marítima Nacional.
O também relações públicas da Marinha indicou que o navio Figueira da Foz saiu da base naval do Alfeite, em Almada, pelas 15h00 desta segunda-feira, em direção a norte, devendo chegar ao local pelas 23h00.
Questionado se a deslocação do navio da Marinha, perante a eventualidade do Eikborg acabar por naufragar, se destina a salvar os tripulantes, Ricardo Sá Granja recusou esse cenário.
"Neste momento não estão em causa vida humanas, não está em causa o ter de salvar tripulantes. O NRP [Navio da República Portuguesa] Figueira da Foz é um navio que está atribuído ao dispositivo no continente não âmbito da busca e salvamento e foi empenhado pela Marinha para fazer um acompanhamento próximo desta situação no local", reafirmou.
"Não vai para lá salvar pessoas, nem o navio se vai partir daqui a três dias, de certeza absoluta. O navio tem alguma capacidade de governo, não tem leme, mas tem um impulsor de proa, que lhe permite alguma manobrabilidade", frisou, recusando um cenário catastrófico.
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