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ESTOU MUITO ARREPENDIDA

Clementina Coelho, a ama de Barcelos acusada de maltratar duas meninas gémeas de 22 meses de idade, diz estar "arrependida" e pede desculpa. “Foi um momento de fraqueza".

01 de novembro de 2002 às 00:00

Correio da Manhã - O que se passou naquelas imagens registadas pela câmara?

Clementina Coelho - Tudo não passou de um momento de fraqueza. Uma das meninas estava a portar-se mal e eu perdi a cabeça. Estava sempre a descer as meias-calças e acabou por se sujar toda. Eu não aguentei mais, chamei-lhe 'porca' e 'badalhoca' e acabei por lhe dar duas sapatadas no rabinho e na perninha. O que se passou podia ter sucedido a qualquer pessoa, num momento de nervos.

- Está arrependida do que fez?

- Sim, estou muito arrependida, e apresento o meu pedido de desculpa aos pais da Beatriz e da Virgínia. Mas garanto que não magoei a menina e que ela nem sequer chorou. Pelo contrário, quem vir com atenção as imagens registadas pela câmara, pode ver que quando eu lhe chamei 'badalhoca' foi em tom de brincadeira e que a menina ainda me respondeu: 'É badalhoca, não é Tina?'.

- Nega, então que batia constantemente nas meninas como os pais quiseram fazer provar, quando decidiram instalar uma câmara de vídeo na casa?

- Claro que nego. Fui contratada pela avó das meninas há cerca de oito meses para tomar conta delas e para olhar pela lida da casa. Fazia-lhes a comida, limpava a casa e até brincava com elas. Em todo este tempo nunca lhes encostei um único dedo. Adoro as duas meninas e elas também gostam de mim. Tanto é que, no início chamavam-me 'mamã' e tive de ser eu a insistir para elas me tratarem por 'Tina', porque me sentia constrangida perante a verdadeira mãe das crianças.

- Como é que justifica então as imagens difundidas na televisão?

- De um mês inteiro de gravações só difundiram aquela única imagem, o que dá uma noção completamente deturpada da forma como eu tratava as meninas. Porque é que não mostram o carinho e o amor que lhes dei durante o resto do mês e durante todo o tempo em que estive com elas? Trataram-me como uma verdadeira criminosa.

- Acha então que, apesar de ter errado, também não procederam bem consigo?

- Na passada segunda-feira fui trabalhar normalmente. Dei o leite às meninas, fiz o almoço e à tarde dei-lhes banho. Antes de me vir embora, por volta das 18h00, a mãe das bebés, a D. Paula, deu-me três bolos e ainda me deu pão para as galinhas, tudo como se nada se tivesse passado. Só me pediu para passar na casa da mãe dela. Quando lá cheguei é que ela me despediu, sem me dar sequer oportunidade de defesa.

- E quanto ao comportamento estranho que os pais afirmam que as crianças tinham nos últimos tempos?

- Nunca me apercebi de nada. Só posso dizer que comigo nunca aconteceu nada às meninas, mas ao fim-de-semana elas ficavam com outra ama… Cheguei a encontrar hematomas nas perninhas e na cabeça delas por mais do que uma vez, mas não estranhei porque como elas são pequeninas, caem e magoam-se. Comigo nunca deram um tombo sequer.

- Acha que é competente para trabalhar com crianças?

- Até digo mais: se eu pudesse trabalhava num infantário ou num lar de velhinhos, porque para mim não há nada de melhor na vida.

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