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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

"Estou feliz por ter salvado uma vida"

Operário segurou durante 15 minutos mulher que caiu à água.

15 de janeiro de 2016 às 15:15

António Barbosa, 53 anos, não hesitou quando ouviu os gritos de desespero de uma mulher que tinha caído ao rio Ave, na manhã de segunda--feira, junto à Nau Quinhentista, em Vila do Conde. Atirou-se para cima de uma boia – que evitava que a nau batesse no paredão – e agarrou a mulher durante cerca de 15 minutos.

"Segurei-a pelo casaco porque pela mão estava sempre a escorregar. Tentei puxá-la para cima, mas não tive forças. Ela estava a gemer e quase a perder os sentidos, mas eu não a larguei", contou ao CM o homem, que trabalha numa obra junto ao local onde a mulher caiu.

"Depois, gritei por ajuda. O meu irmão passou-me uma boia e eu prendi-a ao corpo da mulher com uma corda. Nisto, uma senhora correu para a esquadra da PSP, a cerca de 50 metros, e três agentes ajudaram- -me. Só assim a conseguimos resgatar. Sem eles, não conseguia fazer mais nada", frisou António Barbosa, que não se sente herói. "Eu, herói? Não. Fiz o que a minha consciência mandou", frisou o trabalhador.

Esta não foi a primeira vez que o homem, de Vila do Conde, executou um salvamento. "Há uns 30 anos ajudei um senhor que desmaiou e caiu à água, junto à ponte da cidade. Esta foi a segunda vez e fico muito feliz por ter salvado mais uma vida", referiu .

As circunstâncias em que a mulher de 63 anos foi parar à água não são claras. Foi transportada para o hospital com sinais de hipotermia. "O importante foi que tudo acabou bem. Senti que ela tinha muita vontade de viver", concluiu.

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