A população de Carregueira, Torres Vedras, permanece em choque com a morte de Cláudio Jesus Baptista, de 31 anos, o ex-militar comando que estava desaparecido desde a noite de Natal e anteontem foi encontrado sem vida num poço perto de casa, existindo suspeitas de homicídio. O corpo vai hoje a enterrar.
Segundo apurou o Correio da Manhã, a autópsia realizou-se ontem em Torres Vedras, tendo-se deslocado ao hospital local uma equipa do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. O resultado ficou em segredo de justiça, no entanto, soube-se que a morte terá sido provocada por afogamento, apresentando o corpo outras lesões. Ainda ontem, a família do jovem foi prestar declarações ao Tribunal de Torres Vedras, depois de já o ter feito, na véspera, à brigada da Polícia Judiciária que está a investigar o caso.
Para alguns dos moradores, Cláudio Jesus Baptista poderá mesmo ter sido assassinado. “Fala-se que ele tinha sido ameaçado algumas vezes e que segunda-feira deveria ir a uma audiência no tribunal”, afirmou Maria dos Remédios, de 51 anos, a mulher que encontrou o corpo num poço situado no seu terreno, em Casal das Quebradas.
No entanto, a mulher desfaz de pronto os equívocos. “Era um rapaz de bem. Não falava muito com as pessoas cá da terra mas ninguém tinha mal a apontar-lhe”, afiançou, secundada pelo marido, José Carlos Reis, de 56 anos.
Irene Jesus António, mãe do ex-militar, referiu ao CM que, tanto quanto sabe, o filho “terá sido uma vez ameaçado numa confusão para defender um amigo”. A progenitora afirmou que Cláudio Jesus Baptista era “calado e não se metia com ninguém”. “Só ficava alterado se fosse para defender amigos ou protestar contra uma injustiça”, recordou.
Segundo a mesma, o jovem desapareceu pelas 21h00 do dia de Natal. “Ele foi à rua comprar tabaco no café. No entanto, ficou à porta porque achou que estava mal vestido (tinha um género de pijama). A namorada foi ter com ele mas já não o viu. Passou a noite à procura mas não o encontrou. No dia 26 de manhã telefonou-nos [os pais e os dois irmãos estavam a passar a quadra no Algarve] e nós viemos logo para cima”, descreveu Irene Jesus António.
Nos dias seguintes, dezenas de populares, bombeiros (entre eles mergulhadores), binómios da GNR e, até, colegas dos Comandos realizaram buscas até à zona do Vimeiro, Santa Cruz, sem sucesso.
O jovem viria a ser descoberto anteontem, pelas 13h00, num poço - com pouco uso e cerca de 2,5 metros de profundidade - a poucas centenas de metros de sua casa. “Foram os cães que deram o sinal. Empoleiraram-se no poço e ladraram. Fui ver e reconheci uma figura humana, apenas com a cabeça à tona de água. Assustei-me e chamei um vizinho, que com uma cana confirmou que era uma pessoa. Depois veio um irmão do rapaz e reconheceu-o”, recordou Maria dos Remédios.
O corpo encontrava-se em decomposição e estava despido da cintura para cima, com o pormenor de se encontrar com o boné posto. Segundo os bombeiros, o corpo já estaria dentro de água há cinco ou seis dias. No entanto, os irmãos do jovem já haviam procurado no local, há uma semana, sem nada ter encontrado.
TESTEMUNHOU TIROTEIO FATAL
Cláudio Jesus Baptista, também conhecido em Torres Vedras pela alcunha de ‘Fraldas’, encontrava-se actualmente a dar aulas de ginástica, depois de oito anos no Exército e diversos trabalhos como segurança de discotecas e bares. O jovem cumpria essa função na discoteca Faraó (Santa Cruz, Torres Vedras) quando lá ocorreu, a 27 de Julho de 1997, um tiroteio do qual resultaram duas mortes, como o CM noticiou.
Nesse dia, pouco depois das 04h00, um homem de 27 anos efectuou diversos disparos com uma pistola russa de calibre 9 milímetros, matando dois jovens (de 20 e 18 anos) e ferindo outros quatro que estavam a celebrar um aniversário. Foi apanhado três dias depois, em Lisboa, pela PJ. Na altura, Cláudio Jesus Baptista foi um dos 13 arguidos constituídos no caso e condenado pela prática de um crime de favorecimento pessoal na pena de 90 dias de prisão por ter protegido e albergado o homicida.
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