José Conde Rodrigues, antigo secretário de Estado da Justiça e Adjunto e da Administração Interna, falou em tribunal no âmbito da Operação Marquês.
Um ex-secretário de Estado do antigo primeiro-ministro José Sócrates disse esta terça-feira em tribunal que conheceu Carlos Santos Silva após sair do Governo e que recebeu 25 mil euros por mês por informações transmitidas verbalmente e recolhidas em fontes abertas.
A propósito do julgamento do processo Operação Marquês, José Conde Rodrigues foi chamado a testemunhar no tribunal de Lisboa, uma vez que ocupou os cargos de secretário de Estado Adjunto e da Justiça entre 2005 e 2009 e de secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna entre 2009 e 2011 - governos liderados por José Sócrates -, tendo depois assinado contratos com o arguido Carlos Santos Silva, ligado ao grupo Lena e considerado pela acusação do Ministério Público um dos testas-de-ferro de Sócrates entre 2005 e 2011.
Hoje, em tribunal, José Conde Rodrigues explicou que só conheceu Carlos Santos Silva quando saiu do Governo liderado por José Sócrates. "Foi-me apresentado por um amigo meu que tinha sido colega dele [de Carlos Santos Silva] no [Instituto Superior] Técnico", explicou.
Carlos Santos Silva terá dito que queria investir noutros países, sobretudo na Venezuela, tendo José Conde Rodrigues referido que prestava serviços de consultoria e, com esta informação, foi assinado um contrato de 25 mil euros mensais entre a sociedade XMI e José Conde Rodrigues, explicou o ex-secretário de Estado.
De acordo com a acusação do Ministério Público, José Conde Rodrigues recebeu 161 mil euros das contas da sociedade XMI através de dois contratos - um relacionado com informações sobre a Venezuela e outro sobre Marrocos.
"Na execução dos alegados contratos de prestação de serviços, José Conde Rodrigues manteve reuniões com o arguido Carlos Santos Silva, na sua maioria no decurso de almoços, em que de forma apenas verbal lhe terá transmitido o resultado do seu alegado trabalho", lê-se na acusação.
Hoje, José Conde Rodrigues admitiu que as informações que transmitia a Carlos Santos Silva eram recolhidas através de fontes abertas e que nunca foram pedidos relatórios, sendo a informação transmitida durante encontros, essencialmente almoços.
O principal arguido do processo Operação Marquês é o ex-primeiro-ministro José Sócrates, de 68 anos, que está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o 'resort' algarvio de Vale do Lobo.
No total, o processo conta com 21 arguidos que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os crimes terão sido praticados entre 2005 e 2014 e no primeiro semestre deste ano podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.
O julgamento começou em 3 de julho de 2025 e tem sessões agendadas, pelo menos, até 15 de julho de 2026.
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