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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Falta de médicos de família vai agravar-se dentro de cinco anos

A crise da falta de médicos de família vai agravar-se a partir de 2013, com a entrada na reforma de cerca de dois mil clínicos. É que o número de profissionais em formação nas universidades revela-se insuficiente para colmatar as saídas e meio milhão de portugueses já está actualmente sem médico.

06 de março de 2008 às 00:30

A denúncia foi feita ontem ao CM pelo presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (APMCG), Luís Pisco, que afirmou ser nas periferias das grandes cidades, nomeadamente de Lisboa, Porto, Setúbal e Braga, que “existe uma maior carência”. Motivo: o aumento de população não foi acompanhado pela colocação de suficiente número de clínicos.

Mas Luís Pisco deixou o aviso de que o pior ainda está para vir, dado que, “entre 2013 e 2015”, cerca de um terço dos actuais seis mil médicos de clínica geral entram na reforma. Apesar de reconhecer que o Governo está sensibilizado e que têm vindo a formar-se mais médicos, “o número não permite repor os que vão sair”. Além do mais, a maioria dos estudantes de Medicina não opta por clínica geral, pois “ganha-se menos do que noutras especialidades e existe um menor reconhecimento social”. Cada médico tem actualmente a seu cargo 1800 utentes, quando devia ter 1500.

O presente e futuro do sector está, desde ontem e até sábado, em debate no 25.º Encontro Nacional de Clínica Geral, em Vilamoura. E como o ambiente interfere com a saúde, a organização promoveu ontem a plantação de uma árvore por cada um dos 2500 congressistas, na Serra de Silves.

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