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Correio da Manhã

Portugal
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“Falta de pessoal vai demorar anos a resolver”, diz Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas Silva Ribeiro

São precisos pelo menos cinco anos para reverter a falta de efetivos.
Cláudia Machado e Daniela Polónia 1 de Março de 2020 às 01:30
Almirante Silva Ribeiro
Almirante Silva Ribeiro FOTO: CMTV

A cumprir este domingo dois anos de mandato, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas fez um balanço das reestruturações em curso, numa entrevista ao CM e CMTV, e reconheceu que a falta de efetivos é hoje a maior dificuldade sentida na área da Defesa.

Correio da Manhã - Quais são as reformas mais importantes feitas nas Forças Armadas (FA) nestes dois anos?
Almirante Silva Ribeiro - A mais importante é aquilo que resulta da aprovação da Lei de Programação Militar, que vai dar novas capacidades aos três ramos das Forças Armadas. Isso é muito importante para mantermos as FA tecnologicamente adequadas àquilo que são os desafios das nossas missões. Evidentemente que há outros aspetos. Temos em curso uma grande reestruturação na área do comando de operações conjuntas, que foi muito modernizado do ponto de vista tecnológico. Temos hoje capacidades que nos permitem comandar e controlar as nossas forças nacionais destacadas de uma forma muito mais eficiente. Está também em curso, neste momento, uma grande reforma da Saúde Militar.

CM - Em que consiste essa reforma da Saúde Militar?
- Esta área foi reestruturada há sete anos e houve algumas dificuldades. Estamos a terminar essa reforma e a pôr em prática medidas para corrigir o que não correu bem. Nomeadamente, nos aspetos que têm que ver com a gestão do pessoal de saúde, que é um problema que é preciso melhorar. Vamos também capacitar o hospital, o que implica a construção de novos edifícios, como um bloco cirúrgico.

CM - Como avalia a missão na República Centro-Africana?
- Julgo que esta missão vai ficar na história das FA. Está a ser um exemplo para todos os nossos aliados, pela forma extraordinariamente competente como os nossos militares têm cumprido a sua função. Temos muitas outras missões, no Iraque, Afeganistão, no Mediterrâneo, entre outras. Hoje, temos de pensar a Paz de uma forma global porque esta não se garante só dentro das nossas fronteiras.

CM - No final de 2019, as Forças Armadas tinham cerca de 25 mil efetivos. Em 2011, ultrapassavam os 34 mil. Como se explica esta quebra?
- O problema da redução de efetivos tem mais de uma década. Uma das razões é que a atratividade das oportunidades em Portugal e no estrangeiro é maior. Mas também é uma consequência daquilo que são as exigências da vida militar. O problema da falta de pessoal é a nossa maior dificuldade, que estamos a tratar com grande seriedade e rigor.

CM - Tem solução?
- Estou convencido de que vamos conseguir inverter a situação, mas agora que ninguém pense que um problema com 10 anos se resolve de um momento para o outro. Uma das medidas que já está em curso para aumentar a atratividade da carreira é a aposta nos cuidados de saúde para os militares e as suas famílias. Em breve teremos condições para apresentar ao senhor ministro da Defesa um conjunto de medidas que podem ajudar a resolver o problema.

CM - Quando é que a quebra no número de efetivos será revertida?
- Estou convencido de que esta situação vai ser resolvida, mas vai demorar anos. Nunca menos de cinco anos.

CM - Há condições orçamentais?
- Temos algumas dificuldades orçamentais, mas isso tem todo o País. Não podemos esquecer a crise financeira que Portugal viveu e as FA não são nenhum oásis dentro do País. O nosso papel é gerir bem os recursos financeiros.

CM - Qual o papel das FA face ao coronavírus?
- Estamos a colaborar de forma muito estreita com a Direção-Geral da Saúde. O nosso hospital está a preparar-se para acorrer aos nossos militares e, em caso de necessidade, para ser supletivo do SNS.n
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