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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

"Fico até que o mar devolva o corpo dele"

Pais de Daniel Pereira e namorada de Ricardo Costa acompanharam ontem as buscas.

14 de junho de 2017 às 09:27

"Só queremos que o corpo do nosso filho seja encontrado e nos seja entregue para podermos fazer o luto." Os pais de Daniel Pereira eram ontem o rosto do sofrimento, na praia da Costa Verde, em Espinho - onde o seu filho e Ricardo Costa foram engolidos pelo mar no domingo à tarde.

"Eles eram amigos desde a escola primária e até viviam no mesmo prédio. Ninguém está preparado para uma tragédia destas", diziam de olhos postos no mar onde decorriam as buscas pelos dois jovens - que ontem se revelaram, de novo, infrutíferas.

Também a namorada de Ricardo Costa estava inconsolável. "O meu mundo parou no domingo. Já não sei o que fazer. Vou ficar aqui até que o mar devolva o corpo dele", garantiu Mariana Carvalho, que integra os Bombeiros de Valadares e já tinha até ponderado a transferência para a corporação de Espinho, para estar mais próxima do companheiro.

Durante o dia de ontem não foi detetado qualquer sinal dos dois jovens de 19 anos. "Não houve sucesso nas buscas realizadas com os meios que entendemos serem adequados. Vamos proceder à avaliação do que foi feito ao longo de todas estas horas para traçar o que poderemos fazer", disse o comandante Rodrigues Campos, capitão do Porto do Douro.

Garantiu ainda que as buscas vão ser retomadas hoje. "A corrente é no sentido sul e é para sul que vamos insistir nas operações, nos próximos dias", referiu.

Os jovens desapareceram no mar quando foram buscar a bola com que jogavam futebol.

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