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FONTE LUMINOSA DEIXADA AO ABANDONO

A Fonte que era Luminosa já não tem água nem luz e encontra-se em progressivo estado de degradação. Ocupando um dos topos da Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, constitui motivo de tristeza para os muitos reformados que, outrora, a consideravam um “monumento da cidade”.

17 de fevereiro de 2003 às 00:00

Entre os homens, que se instalam em torno das mesas para mais um jogo de cartas, e as mulheres que, em pequenos grupos, ocupam os bancos do jardim para conversar ou avançar um pouco mais no croché, contam-se alguns ‘amantes’ da Alameda há mais de meio século, para quem a gradual degradação da fonte e daquela zona verde de Lisboa “dói muito”.

"Antigamente, a Fonte Luminosa era linda, com a luz a reflectir na água e com os lagos cheios de patos", lamentou, em declarações à Agência Lusa, Maria de Lurdes, 78 anos, moradora na freguesia de São João desde a década de 50.

A falta de policiamento e a deficiente iluminação são motivo de insegurança entre a população local e o presidente da Junta de Freguesia do Alto do Pina (PSD), António Estorninho, deixou o alerta ao considerar aquela "uma zona de risco".

“Não aconselho ninguém a ir para a parte superior da Alameda à noite. Além de não ser policiada é ocupada por marginais".

A Fonte Luminosa foi construída durante o Estado Novo, na década de 40, "para comemorar a entrada das águas do Vale do Tejo na cidade", lê-se num dos painéis do monumento que, até hoje, teve direito apenas a uma limpeza, na década de 80.

As fissuras e os vários abatimentos na plataforma superior da fonte, assim como as pedras soltas, são a prova da falta de manutenção num monumento onde os ‘graffiti’ e o lixo acumulado nos lagos vazios e nas trepadeiras criam uma sensação de abandono.

Entretanto, uma assessora do vice-presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, garantiu à Lusa que a água da fonte será reposta ainda este mês, assim como uma iluminação provisória, não adiantando, no entanto, a data de instalação do sistema eléctrico definitivo, nem do início das obras previstas para o local, com duração estimada entre seis meses a um ano.

Quem não aceita o atraso é Abílio Martins, presidente da Junta de Freguesia de São João, que recorda ainda as promessas dos responsáveis municipais de reinstalar a “curto prazo”a água e luz, retiradas em Julho após dois cães terem sido electrocutados enquanto tomavam banho no lago.

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