Foram apenas dez segundos, mas o tempo suficiente para causar o medo entre os milhares de alentejanos que sentiram o abalo sísmico na tarde de ontem. Com magnitude 4.1 na Escala de Richter e epicentro a seis quilómetros de Sousel, o tremor de terra levou as pessoas a fugir para rua. O medo foi de tal ordem que até os bombeiros daquela vila abandonaram o quartel.
Fátima Raposo estava de serviço na central da corporação de Sousel. Passavam sete minutos das 13h30 quando começou a sentir os aparelhos e os móveis a abanar. "Eu e os meus colegas que estavam na altura no quartel fugimos para a rua assustados. Fique com tanto medo que durante uma hora as minhas pernas não paravam de tremer", frisou a bombeira ao CM.
O director da Divisão de Sismologia do Instituto de Meteorologia, Fernando Carrilho, apontou Sousel e Estremoz como as localidades onde o abalo foi sentido com maior intensidade, sem excluir que também em Espanha, nomeadamente em Badajoz e Valencia de Alcántara, a terra tenha tremido.
O sismo, que segundo a Protecção Civil não causou danos pessoais ou materiais, era motivo de conversa entre os populares de Sousel. Todos partilhavam da opinião que o tremor de terra teve mais impacto junto das pessoas devido às imagens trágicas dos recentes terramotos no Chile e Haiti, que devastaram cidades inteiras e provocaram milhares de mortos.
"Vemos na televisão tanta miséria lá fora, e como sabemos que não estamos livres de uma tragédia dessas, ficamos com mais receio. Foi um abalo muito forte, mas já tivemos outros há anos e pouca gente ligou", frisou António Borralho, 50 anos de idade.
PORMENORES
EPICENTRO
O sismo foi registado às 13h37 nas Estações da Rede Sísmica do Continente. Teve epicentro a seis quilómetros a Este de Sousel, Portalegre, e uma intensidade máxima IV/V na Escala de Mercalli modificada.
RAIO DE CEM KM
O tremor de terra teve um raio de acção de cem quilómetros. Foi sentido em todo o distrito de Portalegre, mas também nas localidades de Évora, Estremoz, Borba, Arraiolos, Beja e Cuba.
TERCEIRO SISMO NO CONTINENTE NO MÊS DE MARÇO
O abalo de ontem foi o mais forte registado desde o início do ano em Portugal e o terceiro sentido este mês no Continente. No dia 5 de Março foi registado na zona de Albufeira (Algarve) um sismo de magnitude 3.9 na Escala de Richter. Na última segunda-feira, a região de Mação, distrito de Santarém, foi abalada por um tremor de terra de 3.5. Sobre o sismo sentido em Sousel, o Instituto de Meteorologia alerta para a possibilidade da ocorrências de réplicas de menor intensidade. No entanto, diz não haver motivos para alarme.
DISCURSO DIRECTO
"MAIOR SISMO NA REGIÃO DESDE HÁ 30 ANOS", Fernando Carrilho, Director da Divisão de Sismologia do Instituto de Meteorologia
Correio da Manhã – No espaço de uma semana foram sentidos sismos em Mação, Faial e [ontem] no distrito de Portalegre. Estes episódios estão ligados? E podem fazer prever um sismo de maior intensidade?
Fernando Carrilho – Não há ligação entre os sismos sentidos recentemente e nada indica que venha a ocorrer um grande sismo.
– O que é que esteve na origem do sismo sentido no Alentejo?
– O Alentejo não é uma zona de grande actividade sísmica. Este, considerado de intensidade moderada, foi o maior sismo dos últimos 30 anos naquela região. O Alentejo tem actividade sísmica difusa, ou seja, existem várias estruturas naquela zona mas não conseguimos associar um sismo a uma delas.
– É uma surpresa que este sismo tenha ocorrido no Alentejo?
– Não foi uma surpresa. O Alentejo não é uma zona de risco elevado, o que não significa que aí não possam ocorrer sismos. Em média, em todo o País ocorrem cem sismos por mês: a maior parte não é sentida pelas populações.
– Quais as regiões onde o risco sísmico é maior e menor no País?
– O risco é maior nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve e menor na região Centro.
– Seremos alguma vez capazes de prever os sismos?
– Neste momento isso não é de todo possível. Implicaria colocar sensores sísmicos a 10, 30 ou 50 quilómetros de profundidade.
– Pode haver alguma relação entre os sismos que se têm sentido e os fenómenos meteorológicos extremos?
– Não há qualquer relação entre uma coisa e outra.
– Como podemos proteger-nos durante um sismo?
– Se não pudermos abandonar o local, devemos procurar abrigo debaixo de uma mesa forte e evitar os elevadores, entre outras medidas de autoprotecção.
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