Pedro Gameiro era o suspeito “mais complicado” de apanhar e a PSP não hesitou em chamar a elite da polícia – vinte elementos do Grupo de Operações Especiais invadiram-lhe a casa de rompante. Era investigado há um ano por suspeita de gerir negócios de prostituição, droga e armas em Lisboa com Alfredo Morais e Rui Batista, já arguidos no caso ‘Passerelle’.
E entre os 11 detidos na madrugada de domingo está ainda Pedro França Alemão, o ex-namorado de Catarina Fortunato de Almeida.
O grupo era conhecido por controlar negócios da noite e “o elevado perigo que ofereciam” alguns destes elementos, referenciados por vários crimes violentos, levou a Divisão de Investigação Criminal (DIC) a avançar com “cuidados redobrados”, adiantou ontem ao CM fonte policial.
As equipas da DIC fizeram buscas em residências e casas de alterne entre as 14h00 de sábado e as 18h00 de domingo. Foram apreendidos sete revólveres de vários calibres, várias munições de diferentes calibres e uma pistola eléctrica Taser. Além de droga, dinheiro, documentos e computadores, a PSP apreendeu 19 automóveis de alta cilindrada onde, apurou o CM, constam BMW, Mercedes ou Porsche Cayenne.
Extorsão, favorecimento à prostituição e imigração ilegal, tráfico de droga e armas são os crimes imputados aos 11 detidos. Ao início da noite de ontem estavam a ser interrogados no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa para aplicação de medidas de coacção.
Alfredo Morais, ex-agente da PSP, estava já sujeito ao termo de identidade e residência, enquanto aguarda o desfecho do julgamento do processo ‘Passerelle’. O seu advogado faltou à sessão de ontem no Tribunal de Leiria para o acompanhar no TIC.
Rui Batista também está a ser julgado no mesmo processo. E Pedro Alemão, o ex-namorado de Catarina Fortunato de Almeida, que acompanhou a antiga mulher de José Maria Tallon em vários eventos sociais e nas páginas das revistas cor-de-rosa, há muito que estava referenciado pelos negócios ilegais da noite.
Alguns foram apanhados na rua, outros em casa, como Alfredo Morais, mas “a grande maioria” dos elementos da rede estava em casas de alterne junto à Avenida Duque de Loulé, em Lisboa. A DIC coordenou toda a operação ‘Polvo’, com 114 agentes no terreno, com o apoio de 26 inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, 20 elementos do GOE, 21 do Corpo de Intervenção e ainda 42 agentes de Equipas de Intervenção Rápida – um total de 223 elementos envolvidos.
O SEF identificou 88 mulheres estrangeiras, enquanto a PSP inquiriu 22 testemunhas estrangeiras. O CM sabe que o processo tem vários volumes, depois de um ano de investigação, e os 11 suspeitos estão ainda indiciados por associação criminosa.
VÍTOR TRINDADE TROCOU "OURO POR LATA"
O principal arguido do processo ‘Passerelle’, Vítor Trindade, disse ontem no Tribunal de Leiria que só saiu prejudicado nos negócios com o seu sócio, Alfredo Morais.
O empresário cedeu quotas em sociedades lucrativas ao ex-PSP, recebendo em troca o controlo de estabelecimentos deficitários, que acabaram por fechar devido aos prejuízos acumulados.
Convidado pelo procurador da República a explicar esta troca de “ouro por lata”, Vítor Trindade disse ter agido por estratégia, mas que saiu prejudicado. Quanto à participação de Alfredo Morais na actividade das empresas detidas por ambos, o fundador das casas de striptease Passerelle não foi esclarecedor.
Os relatórios e contas revelam inúmeras saídas de dinheiro a favor do ex-polícia, sem qualquer retorno. Dado que Vítor Trindade se assume como gestor dos estabelecimentos, o Ministério Público quis saber o que dava Alfredo Morais em troca.
“Deu umas lojas como garantia bancária e entrou com o dinheiro para o capital social das empresas”, justificou o arguido.
38buscas. A operação ‘Polvo’ resultou no cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão a residências. Foram ainda levados a cabo sete mandados em estabelecimentos de diversão nocturna e um mandado numa pensão.
22testemunhas. A PSP inquiriu 22 testemunhas e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras identificou 88 mulheres estrangeiras, 48 das quais foram notificadas a apresentarem-se no SEF.
236gramas de cocaína foram apreendidos pelas equipas da PSP, além de 12,98 gramas de haxixe, 179 comprimidos de ecstasy e ainda 30 caixas de esteróides anabolizantes.
23mil euros foi a quantia apreendida pela PSP aos suspeitos, além de 458 dólares e 40 libras. A polícia recolheu ainda vários documentos como prova, além de computadores e cheques.
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