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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

GNR assassinado sem nome em rua na Quinta do Conde

Autarquia recusa pretensão da família de Nuno Anes.

24 de abril de 2017 às 08:15

A Câmara de Sesimbra não conseguiu encontrar uma rua no concelho para dar o nome de Nuno Anes, o militar da GNR da Quinta do Conde que morreu em agosto de 2015 assassinado a tiro quando acorreu a ajudar as vítimas de um duplo homicídio. O pedido formal foi feito pela família em março do ano passado. A resposta chegou agora: "Neste momento, não existem (...) arruamentos disponíveis".

Segundo apurou o CM junto de amigos da família, a revolta com a autarquia levou a que recusassem de imediato a oferta de uma medalha de mérito municipal grau bronze a Nuno Anes, condecoração que seria entregue a 4 de maio, feriado municipal de Sesimbra. "É apenas latão", disse um amigo da família. A câmara tinha oferecido a medalha a título póstumo com a justificação de estar solidária e não querer "deixar de prestar homenagem a quem ao serviço de tão nobre profissão acabou por perder a vida na tentativa de ajudar o seu semelhante."

A família fez o pedido para ser dado o nome de Nuno Anes a uma rua na freguesia da Quinta do Conde, onde o militar vivia, trabalhava e morreu aos 25 anos. A câmara confirmou ao CM que o pedido não foi satisfeito porque "neste momento não há disponibilidade de ruas". "Trocar o nome de uma é impossível devido às burocracias".

Nuno Anes foi morto a 29 de agosto de 2015 por Rogério Coelho (77 anos, falecido antes do julgamento). O homem tinha instantes antes abatido o vizinho PSP José Pereira, 52 anos, e o filho deste, Diogo, de 23.

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