Chefe do SEPNA afirmou que o objetivo da GNR é "minimizar danos" e sensibilizar a população para a "adoção de todos os cuidados" para a proteção de pessoas e da floresta.
A GNR de Vila Real alertou esta quarta-feira a população para a adoção de medidas preventivas durante a realização de queimas de sobrantes, depois de vários incêndios e 11 detidos no distrito, precisamente por queimas que se descontrolaram.
A major Carla Domingues, chefe do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, disse que, desde o início do ano, mas com maior incidência nas últimas semanas, foram detidos no distrito de Vila Real 11 suspeitos do crime de incêndio florestal, a maior parte por queimas autorizadas que fugiram de controlo.
A responsável referiu que a maioria das pessoas tem a consciência de que é preciso requerer a autorização para a queima dos sobrantes, junto das câmaras municipais.
"Sentimos que é na sua execução que, de alguma forma, existe alguma falha ou alguma lacuna que depois, em caso extremo, tem originado alguns incêndios aqui na nossa região", salientou.
Precisamente por isso e porque os dias estão quentes, e nesta semana que antecede a Páscoa há muita gente de férias e que aproveita para fazer, por exemplo, a limpeza dos matos em volta das habitações e depois a queima desses sobrantes, Carla Domingues deixou algumas recomendações.
Assim, referiu, depois de obtida a devida autorização, é preciso verificar as condições meteorológicas do dia, realizar pequenos amontoados dos sobrantes, ter sempre próximo um recipiente com água ou uma mangueira, limpar toda a vegetação à volta do amontoado a queimar.
"Outra preocupação que julgo que é muito importante é de só se afastar do local quando a queima efetivamente estiver extinta (...) Se alguma coisa correr mal, alertar desde logo todos os meios de socorro, afastar-se do local, proteger-se em local seguro e, se for necessário, apoiar-se nos vizinhos ou em familiares", acrescentou.
A chefe do SEPNA afirmou que o objetivo da GNR é "minimizar danos" e sensibilizar a população para a "adoção de todos os cuidados" para a proteção de pessoas e da floresta.
Carla Domingues lembrou que o Comando Territorial de Vila Real se encontra a desenvolver ações de sensibilização no âmbito da Operação Floresta Segura 2026.
"Estamos no terreno junto da população para desenvolver essas ações de sensibilização, nomeadamente na gestão de combustível, os procedimentos a adotar na realização das queimas e queimadas e também comportamentos preventivos de forma a proteger a nossa floresta", realçou.
Os detidos pelo crime de incêndio são maioritariamente dos concelhos de Vila Real e Montalegre e, nestes casos, os processos foram remetidos para o Ministério Público das respetivas comarcas.
No sábado foi detido um homem de 77 anos, em Montalegre, devido a uma queima de amontoados, neste caso não licenciada, que se terá descontrolado, dando origem e um incêndio florestal que consumiu cerca de 36 hectares de pinhal e mobilizou vários operacionais e meios aéreos para o combate.
Na terça-feira, a corporação dos bombeiros de Salto, em Montalegre, partilhou um vídeo numa rede social para sensibilizar para "o flagelo" dos incêndios, depois de ter combatido mais de 40 fogos durante o mês de março, instando a que se evitem comportamentos de risco.
"É uma zona que merece a nossa maior atenção e que nos preocupa, tanto que vamos intensificar o patrulhamento naquela zona [Montalegre] e intensificar a sensibilização para minimizar os danos (...) O histórico diz-nos que esta é sempre uma zona que merece a nossa maior atenção", salientou Carla Domingues.
Em Portugal continental, desde o início do ano, houve cerca de 200 alertas de incêndios, alguns das quais acabaram por se revelar falsos alertas.
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