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Guardas prisionais processam Mamadou Ba por difamação nas redes sociais

Sindicato diz não admitir insinuações do ativista antirracismo em 'post' no Facebook escrito a propósito do suicídio de um preso na cadeia do Linhó

27 de maio de 2025 às 13:54

O Sindicato Nacional da Guarda Prisional (SNGP) vai apresentar queixa-crime na justiça por difamação contra o ativista antirracismo Mamadou Ba, defendendo que o mesmo insinuou culpa de guardas prisionais na morte de um recluso, na prisão do Linhó, Sintra, que se suicidou na cela.

A denúncia surge devido a um 'post' de Mamadou Ba, colocado nas redes sociais Facebook e X. O ativista diz "ter sempre muitas dificuldades em acreditar em mortes naturais, e muito menos suicídios, de pessoas negras nas prisões". O mesmo texto anexa uma notícia, com data de 21 de maio, referente à morte de um preso de 25 anos, encontrado enforcado na cela da cadeia do Linhó. Mamadou Ba afirma "ter a convicção de que a probabilidade de haver mortes por violência dos guardas prisionais, é mais alta do que qualquer outra possibilidade de morte natural ou suicídio". "Neste caso, haverá certamente autópsia como manda a lei, mas receio que a história se repita outra vez no sentido em que o relatório médico-legal tenha sempre que confirmar a tese das autoridades penitenciárias", acrescentou.

Frederico Morais, presidente do SNGP, diz "não admitir estas insinuações para com o corpo da guarda prisional". "Tratou-se de um recluso com problemas psiquiátricos, cuja morte por enforcamento foi detetada pelos guardas de manhã, na abertura das celas. O corpo foi levado para autópsia. Antes disso a Polícia Judiciária esteve no local", esclarece. "Admito que existam situações de mortes suspeitas, mas não em Portugal. Esta pessoa vai ter de retratar-se em tribunal", defende o dirigente sindical.

Recorde-se que Mamadou Ba já tinha sido julgado e condenado a uma pena de multa de 2400 euros por difamação ao militante neonazi Mário Machado. Em causa esteve, tal como agora, um texto na rede social Facebook, que Mário Machado considerou difamatório por o ligar ao homicídio de Alcindo Monteiro, em 1995, no Bairro Alto, em Lisboa. O Tribunal da Relação de Lisboa, entretanto, anulou esta condenação, mandando repetir o processo. 

O CM tentou contactar Mamadou Ba, através de chamada telefónica e mensagem SMS. Nunca tivemos resposta. 

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