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HABITANTES TROCAM CIDADES POR ALDEIAS

Em Braga assiste-se actualmente a uma notória redução da procura de habitações na cidade. Cada vez mais, as pessoas procuram casas nas zonas rurais e com facilidade de acesso à capital do distrito, o que leva os construtores civis a alterarem o alvo dos investimentos, enquanto os autarcas querem evitar o surgimento de 'dormitórios'.

11 de junho de 2002 às 14:46

Os concelhos de Amares, Vila Verde, Terras de Bouro e Póvoa de Lanhoso registam hoje uma forte pressão construtora, multiplicando--se os novos loteamentos, com destaque para as habitações em banda e casas geminadas em plenas aldeias.

É uma situação que pode descaracterizar a paisagem do mundo rural, mas que, por outro lado, contribui de forma efectiva para uma melhor qualidade de vida e um maior equilíbrio de desenvolvimento regional, conforme sublinha o presidente da Câmara de Amares, José Barbosa.

As boas acessibilidades e a vantagem do binómio qualidade/preço são apontadas pelo autarca como as principais razões para esta nova conjuntura. É que, uma casa geminada que custe em Braga 200 mil euros, num dos concelhos rurais vizinhos fica mais barata uns 50 mil euros e com a vantagem de dispor de um enquadramento ambiental e paisagístico de grande qualidade.

Em face desta nova vaga de construções, o edil realça a preocupação em "não ver transformado o concelho em dormitório de Braga", mostrando-se apostado em atrair investimentos empresariais, através do reforço de incentivos e de iniciativas como a feira económica que ontem terminou. O objectivo é que a oferta de trabalho consiga acompanhar o forte crescimento demográfico.

Segundo os resultados provisórios do último censos, Braga dispõe de quase 11 mil alojamentos por habitar. Mas o fenómeno não é exclusivo da capital de distrito. O empresário José Soares sublinha que também em cidades como Famalicão e Guimarães se assiste à preferência das pessoas por zonas mais afastadas do meio urbano.

"Hoje, já não existe aquele velho orgulho das pessoas dizerem que moram na cidade. É ao contrário. Existe o prazer e o gosto de se viver na aldeia, num espaço diferente e oposto ao local de trabalho", sublinha José Soares, gerente das empresas de construção civil 'Norverde' e 'Soares & Ferraz'.

O empresário - com investimentos tanto em Braga como nos concelhos limítrofes - destaca que os proprietários estão a vender os apartamentos nas cidades para comprarem uma habitação nas zonas rurais. São apartamentos com seis ou sete anos, procurados por pessoas que estão a tentar agora aceder ao crédito bonificado.

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