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Correio da Manhã

Portugal
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Rui Pinto: "Portugal quer tratar-me como um Bin Laden"

Tribunal húngaro decidiu extraditar o pirata informático para Portugal.
5 de Março de 2019 às 12:04
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Tribunal húngaro decidiu extraditar o pirata informático para Portugal.
O hacker Rui Pinto reagiu esta terça-feira à decisão do tribunal de Budapeste, na Hungria, e diz que não se arrepende de nada, sublinhando que Portugal está a tratá-lo como "um Bin Laden".

"A minha prioridade é colaborar com a justiça francesa, que foi a que me mostrou mais garantias. Portugal nunca quis saber de mim. Portugal agora quer pôr a minha cabeça a prémio, quer mostrar-me como um troféu, quer tratar-me como um Bin Laden. Foi essa a perceção que tive da conferência de imprensa de Carlos Cabreiro", começou por dizer Rui Pinto.

"Não me arrependo de nada. Fazia tudo o que fiz". "Vou passar umas noites numa prisão húngara e é aguardar a decisão desse recurso", começou por dizer Rui Pinto, dizendo que "Portugal está podre".

"Acho que o futebol português não vai mudar. Em Portugal não há cultura do desporto, há cultura clubística. Portugal está podre. Vejo os outros países motivados a lutar contra a corrupção no futebol, mas Portugal não. Isso do caso dos emails é uma treta", confessou.

Recorde-se que o tribunal metropolitano de Budapeste decidiu extraditar Rui Pinto para Portugal, onde deverá ser presente às autoridades, no âmbito da investigação ao acesso aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento 'Doyen Sports'.

Rui Pinto está em prisão domiciliária em Budapeste desde 18 de janeiro, na sequência de um mandado de detenção europeu emitido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Na base do mandado estão o acesso aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento 'Doyen Sports' e posterior divulgação de documentos confidenciais, como contratos de jogadores do Sporting e do então treinador Jorge Jesus, assim como de contratos celebrados entre a 'Doyen' e vários clubes de futebol.

Em 13 de fevereiro, o tribunal húngaro rejeitou o recurso do Ministério Público daquele país para que Rui Pinto passasse a prisão preventiva, mantendo o português em prisão domiciliária, enquanto aguardava o desenrolar do processo de extradição para Portugal, ao qual se opôs.

Rui Pinto terá acedido, em setembro de 2015, ao sistema informático da "Doyen Sports Investements Limited", com sede em Malta, que celebra contratos com clubes de futebol e Sociedades Anónimas Desportivas (SAD).

O 'hacker' é também suspeito de aceder ao email de elementos do conselho de administração e do departamento jurídico do Sporting e, consequentemente, ao sistema informático da SAD 'leonina'.

Rui Pinto está indiciado de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa coletiva e outro de extorsão na forma tentada.
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