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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Helicópteros voltam a voar nos Açores

A Força Aérea Portuguesa vai retomar, no próximo sábado, as evacuações médicas nocturnas nas ilhas açoreanas de São Jorge e Graciosa. A decisão foi tomada ontem após um encontro entre o Presidente do Governo Regional e o Comandante da Zona Aérea dos Açores e é sustentada pela garantia das condições de segurança depois do acidente com o helicóptero EH101 Merlin.

20 de dezembro de 2007 às 00:00

A 15 de Novembro, o aparelho subiu repentinamente a uma altura de dois metros e caiu de seguida, estatelando-se na pista da ilha de S. Jorge. Os ocupantes foram projectados contra o tecto e as paredes, ficando cinco deles feridos.

A decisão de voltar a voar surge antes de estar concluído o inquérito para apurar as causas do acidente. Fonte oficial da Força Aérea admitiu, no entanto, que “está descartada a hipótese de ter sido falha humana”. A entidade “continua a trabalhar com o fabricante para detectar uma possível falha técnica”.

“Esta é uma solução de compromisso que será utilizada apenas em casos específicos onde não é possível prestar auxílio com outros meios como é o Aviocar”, explicou a mesma fonte, esclarecendo que continuarão a existir “limitações operacionais”.

O Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, prometeu ontem que, em 2008, serão melhoradas as condições de iluminação das pistas das ilhas das Flores, S. Jorge e Graciosa.

MÉDICA FERIDA AVANÇA COM PROCESSO

Helena Lima, a médica que ficou gravemente ferida no acidente de 15 de Novembro – fractura com esmagamento da vértebra L1 – vai “processar o Estado em três frentes”. Com a perspectiva de ficar acamada durante um ano, a médica vai avançar com uma acção contra o Governo Regional dos Açores, a Força Aérea e o Hospital de Santo Espírito, em Angra do Heroísmo. Simultaneamente, Helena Lima apelará ao Tribunal Europeu.

Em causa está a ausência de um seguro de trabalho que cubra as despesas resultantes do acidente. O actual acordo do hospital de Santo Espírito – que está a ser renegociado – só prevê indemnizações em caso de incapacidade total ou morte.

Helena Lima adiantou ao CM que a presidente do Conselho de Administração daquela unidade, Olga Freitas, “garantiu verbalmente que irão pagar o ordenado por inteiro enquanto estiver de baixa”. No entanto, “a remuneração que deveria receber pelos serviços de evacuação não está contemplada”.

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