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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Homicida fez 10 tiros

António Carlos Reis, bombeiro dos Voluntários de S. João da Pesqueira, foi o primeiro a chegar a São Xisto, escassos minutos após a tragédia. No momento da matança, acompanhava os trabalhos em terrenos agrícolas de que é proprietário, junto ao Rio Douro, mesmo à entrada para a aldeia.

24 de janeiro de 2005 às 00:00

Não ouviu os tiros, porque estava muito perto de uma retroescavadora e o barulho da máquina abafou os disparos. Apercebeu-se de que tinha acontecido alguma coisa quando dois homens, que trabalhavam ali perto numa vinha, lhe apareceram aos gritos: “O senhor Jusmino já matou uns poucos”.

Reis correu que nem um desalmado em direcção à única rua que atravessa São Xisto. Por muitos anos que viva não se esquecerá, nunca, o medonho cenário que encontrou. O primeiro corpo que viu foi o de Ernesto Ermidas, vítima dos ciúmes de Jusmino Vila Real. O corpo estava tombado na rua, o boné caído ao lado da cabeça e o revólver ao lado. “Vi logo que não havia nada que pudesse fazer por ele”, diz o bombeiro.

O cadáver exibia uma marca de zagalote no peito e, pelo rego de sangue que deixou na calçada, notava-se que tentou fugir, ferido, para a porta de sua casa. Também era visível a marca de outro tiro nas costas. Perto da porta de casa de Jusmino, o homicida, estava o corpo sem vida de Etelvina Lopes, mulher de Ernesto.

O cadáver estava sobre um degrau, como se estivesse sentado, com uma grande ferida no tórax e sinais de quatro perfurações nas costas. Carlos Reis temeu que o homicida pudesse estar emboscado.

Caminhou com cautela para casa de Jusmino. Ouviu barulho e, quando empurrou a porta, deparou-se com ele ainda vivo: “Respirava pelo buraco que tinha no peito, com sinais evidentes de estar a dar as últimas. Tinha a pistola e a caçadeira ao lado”, recorda. Encontrou Maria Alice, mulher de Jusmino, morta em casa. O cadáver estava sentado no sofá: um tiro na cabeça decepou-lhe uma orelha e desfigurou-lhe o rosto.

Reis telefonou para o 112, o número de emergência. A GNR e os bombeiros de São João da Pesqueira avançaram para São Xisto.

FILHOS CHEGARAM DE FRANÇA

Filipe Vila Real, filho de Jusmino e de Maria Ribeiro, e a sua mulher, filha de Ernesto e de Etelvina Lopes, chegaram ontem a Portugal para assistirem ao funeral dos pais. Emigrantes em França, o casal aterrou cerca das 18h00 no Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, num voo TAP proveniente de Paris.

Filipe e a mulher, que se mantêm unidos, deixaram o aeroporto e dirigiram-se, de imediato, para a pequena aldeia, onde pernoitaram, em casa de Ernesto. Ele é filho do homicida, ela é filha do casal assassinado. A São Xisto chegou, também ontem, um outro filho de Jusmino, residente em Aveiro.

Tal como o CM noticiou na sua edição de ontem, os funerais deverão ser realizados em separado e em dias diferentes. Jusmino e Maria Alice Ribeiro vão a enterrar quarta-feira. O funeral de Ernesto Ermidas e Etelvina Lopes realiza-se na quinta-feira. Os corpos do massacre de São Xisto serão sepultados no mesmo cemitério, em Vale de Figueira, sede da freguesia.

CAÇADEIRA

Jusmino, o homem que provocou a matança de São Xisto, fez seis tiros de caçadeira e vários com a pistola de calibre 6.35 mm. Por ciúmes, matou a mulher, os compadres e matou-se.

PISTOLA

A pistola de Jusmino era de pequeno calibre, para defesa pessoal. Ele tinha recebido há poucos dias, da Direcção Nacional da PSP, a respectiva licença de uso e porte de arma.

TIROS

Jusmino fez quatro disparos com a pistola. Não se sabe onde acertou. Ernesto, uma das vítimas, ainda sacou do revólver. Não fez um único tiro: o tambor tinha as seis munições

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