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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Inspector da PJ acredita que Rui Pedro está vivo

Um antigo inspector da Polícia Judiciária (PJ) disse esta segunda-feira, no Tribunal de Lousada, acreditar que Rui Pedro, a criança desaparecida <br/>há 13 anos, poderá ainda estar viva.

12 de dezembro de 2011 às 21:03

"Não tenho provas, mas essa é a minha convicção", afirmou. José Ribeiro dos Santos, que participou nos primeiros dias da investigação após o desaparecimento, admitiu que a sua brigada não conseguiu reunir "provas conclusivas" quanto ao que aconteceu ao menor no dia 4 de Março de 1998, apesar de várias diligências efectuadas.

"Havia algumas coisas que não batiam certo. Não consegui materializar provas de que ele [arguido] era culpado ou inocente", afirmou.

Este antigo inspector, que foi arrolado como testemunha pelo Ministério Público, acusou a prostituta Alcina Dias de ter mentido ao tribunal.

A prostituta tinha dito em audiência que estivera com uma criança no dia do desaparecimento e que o menor fora levado num carro preto por Afonso Dias, único arguido neste processo, acusado de um crime de rapto qualificado.

A requerimento dos assistentes, o colectivo de juízes interrompeu várias vezes o depoimento do inspector, lembrando que aquele agente da polícia criminal estava impedido de contar conversas realizadas, na fase de inquérito, com pessoas mais tarde arroladas como testemunha, como foi o caso de Alcina Dias.

A defesa do arguido contestou, defendendo que os inspectores deveriam falar "sem quaisquer restrições de ordem formal" para se apurar a verdade, o que não convenceu o Colectivo. Confrontado com limitação reiterada pelo tribunal, o inspector não deixou de expressar o seu descontentamento, alegando que assim não podia contrapor com "as testemunhas que vieram dizer mentiras ao tribunal".

"Se eu não posso falar, senhora doutora mande-me embora", afirmou, dirigindo-se à presidente do colectivo, num ambiente de alguma crispação.

José Ribeiro dos Santos, que conduziu as investigações até 2001, revelou que Alcina Dias lhe disse, dois dias após o desaparecimento da criança, no local do encontro com Rui Pedro, que o carro do homem que levara a criança era branco e não preto como há dias afirmou ao tribunal.

O inspector garantiu ainda que naquela diligência realizada em Lustosa não mostrou à mulher qualquer foto de Rui Pedro, contrariando também o que disse Alcina Dias em julgamento.

José Ribeiro dos Santos rebateu também parte do depoimento de hoje de Carlos Teixeira, um tio de Rui Pedro que acompanhou o inspector a Lustosa para ouvir a prostituta.

O familiar do menor disse ao tribunal que Alcina Dias tinha falado de um carro preto. Para esta oitava sessão de julgamento estava agendada a audição de cinco inspectores da PJ arrolados pela acusação, mas apenas dois foram ouvidos.

O segundo inspector, José Leal, que assumiu a condução da investigação após 2001, prosseguindo-a até 2004, limitou-se a caracterizar e descrever pormenorizadamente alguns dos locais que constam dos autos e as reconstituições dos factos que conduziu. O julgamento prossegue na terça-feira com a audição de mais alguns inspectores da PJ que participaram na investigação.

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