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Irmãos acusam GNR

Dois irmãos, Acácio e Dário Lourenço, formalizaram ontem queixa no Ministério Público de Silves contra oito militares da GNR, entre os quais o comandante do posto de Armação de Pêra, a quem acusam da prática de diversas agressões, que resultaram em ferimentos em diversos membros e na cabeça.

09 de janeiro de 2007 às 00:00

Na madrugada do último sábado “acompanhei um amigo meu, o Augusto, que foi tocar na abertura da discoteca ‘TR’ (também conhecida por Beach Bar), em Armação de Pêra, e, à saída, quando olhei para trás vi-o envolvido com dois guardas e a ser agarrado pelo colarinho. Os militares chamaram-lhe imigrante e disseram que ele não podia urinar na rua e pediram-nos a identificação, o que fiz”, conta Acácio.

A interpelação da força da GNR “não me agradou, pois senti que havia uma clara motivação racista, e disse-lhes que ia apresentar queixa quando eles já estavam dentro do carro e a alguns metros de distância. Recuaram, saíram da viatura e deram-me um pontapé nos testículos e socos, sem que eu tivesse reagido.”

Acácio acabou por dirigir-se ao posto da GNR “na companhia de alguns amigos, exigindo ser atendido para apresentar queixa. Eu e o meu irmão conseguimos entrar e fomos recebidos a pontapé e algemados. Tinham pedido reforços a Lagoa e chegaram mais guardas, num total de oito. O comandante, à civil, foi um dos que bateu, sem perguntar o que se tinha passado”.

A dado ponto, “e depois de várias agressões a soco, murro e com o cassetete, sujei a parede com sangue. Disseram-me que tinha de pagar a pintura e bateram-me”, adianta Acácio, depois transportado ao Hospital de Portimão, com o irmão, e ali assistido, sob detenção. Na sala de espera “adormeci e voltei a ser agredido por um dos três guardas que foram connosco”, adianta Acácio.

Acusados de tentarem invadir o posto da GNR, os dois irmãos foram presentes a Tribunal (em Portimão) no sábado, saindo em liberdade, com o processo a passar a inquérito.

VÃO RESPONDER POR TENTAREM INVADIR O PORTO DE ARMAÇÃO

A GNR levantou um auto de contra-ordenação no Beach Bar por estar a funcionar fora de horas e sem licença, e, pouco depois, um militar chamou a atenção de um indivíduo que estava a urinar em cima de um carro. Segundo fontes daquela força, algumas pessoas que haviam saído da discoteca injuriaram os militares. Mais tarde, no posto de Armação de Pêra, e ainda segundo fonte da GNR, surgiram cerca de dez indivíduos que tentaram forçar a entrada nas instalações, onde se encontravam três guardas, com alguns dos populares a pontapearem os militares, que ficaram feridos sem gravidade, devido também ao arremesso de pedras e de um vaso com areia. Chegaram reforços de Lagoa e o grupo dispersou mas dois homens foram detidos. Dois militares, que fizeram uma perseguição a pé, foram alvo de tentativa de atropelamento por um carro que mais à frente recolheu os elementos em fuga. Os irmãos Acácio e Dário Lourenço são acusados de tentativa de invasão do posto da GNR de Armação de Pêra e terão de responder judicialmente.

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