Acabou da pior forma para cinco jovens a terceira noite da Queima das Fitas do Porto. O Opel Astra Sport conduzido por Vítor Duarte Silva, 25 anos e residente no Marco de Canaveses, despistou-se, pelas 07h30 de ontem, em plena A4, logo à entrada da cidade de Gandra, em Paredes, quando regressavam do Queimódromo.
Dos três ocupantes do banco de trás, um morreu a caminho do hospital e os outros dois estão em estado grave no Hospital de São João, no Porto. Os amigos da frente sofreram ferimentos ligeiros e estão em casa.
A viatura foi embater na berma do lado direito, e os 60 metros seguintes, no sentido Porto-Amarante, foram feitos com o carro a rodopiar sobre si próprio a uma velocidade tal que fez com que os três ocupantes do banco de trás fossem projectados pelo porta-bagagens.
Vítor Hugo Quintela, 29 anos e professor de Educação Física em Penafiel, acabou por morrer; Bruno Martins, 26 anos e residente no Marco de Canaveses, e César Moreira, outro marcoense de 24 anos, ficaram imobilizados na faixa de rodagem do sentido contrário. Vítor Hugo faleceu quando estava a ser transportado de helicóptero para o hospital.
O excesso de velocidade ou alguma sonolência são as hipóteses que estão a ser equacionadas pelas autoridades para explicar o brutal acidente. O condutor, Vítor Duarte, foi sujeito ao teste de alcoolemia no Hospital de Penafiel, mas o resultado ainda é desconhecido.
A notícia do acidente chegou a Novelas, freguesia da vítima mortal, pela rádio e sem pormenores, mas a mãe de Vítor Hugo teve logo um pressentimento. "Mal ouviu a notícia disse logo: ‘é o meu filho’. Telefonou-lhe dezenas de vezes, mas ninguém atendeu", revelou ao CM, ainda em choque, Fátima Silva, tia e madrinha do jovem. "Ele passou o dia a dar aulas na EB1 de Croca e nas piscinas. Mas os amigos telefonaram-lhe e ele foi ter com eles à entrada da auto-estrada", recordou Fátima Silva.
FERIDO GRAVE NOS CUIDADOS INTENSIVOS
Vítor Hugo Quintela, César Moreira e Bruno Martins viajavam no banco de trás do Opel Astra e foram os passageiros mais afectados pelo despiste. Os três amigos foram projectados para a faixa contrária da A4, no sentido Porto-Amarante.
Vítor Hugo morreu no helicóptero do INEM. Bruno é o que inspira mais cuidados, estando em coma nos cuidados intensivos do Hospital S. João, no Porto. Na mesma unidade está César, mas internado na unidade de cuidados intermédios, e já terá conseguido falar. O condutor, Vítor Silva, e Maximino Miranda, de 30 anos, que seguia no banco da frente, foram transportados para o Hospital Padre Américo, em Penafiel, onde foram socorridos a pequenas escoriações e ferimentos em várias partes do corpo. Ambos tiveram alta médica ainda durante a manhã de ontem.
ACIDENTE OBRIGA A CORTE DA A4 NOS DOIS SENTIDOS
O acidente ocorreu às 07h30, ao quilómetro 23, no sentido Porto--Amarante. Minutos depois começaram a chegar as primeiras das sete viaturas e dos 25 homens dos Bombeiros Voluntários de Valongo que socorreram as vítimas.
Em Gandra, além de uma VMER e de uma ambulância dos Bombeiros de Baltar, esteve ainda um helicóptero, para transportar Vítor Hugo Quintela. "Para o helicóptero parar em plena auto-estrada tivemos de cortar a circulação entre os nós de Campo e Baltar e nos dois sentidos", explicou ao CM Gilberto Gonçalves, adjunto do Comando dos Voluntários de Valongo.
PORMENORES
ESTRADA CORTADA
Durante mais de duas horas, a A4 esteve cortada. Só às 09h30 foi retomada a circulação no sentido Amarante-Porto. Uma hora mais tarde circulava-se normalmente.
CONCERTO
Os cinco amigos tinham ido ao Queimódromo do Porto especialmente para ver o concerto dos escoceses Franz Ferdinand.
FUNERAL POR MARCAR
Ao início da noite de ontem ainda não estava marcado o funeral de Vítor Hugo Quintela.
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