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Correio da Manhã

Portugal

Ladrões de banco aos tiros contra GNR

Três homens encapuzados e armados com uma caçadeira de canos serrados e uma pistola 7,65 mm dispararam ontem pelo menos sete tiros contra uma patrulha da GNR que os perseguia após terem efectuado um assalto à Caixa Geral de Depósitos (CGD) de Valpaços.
24 de Maio de 2005 às 00:00
Os militares refugiaram--se para não serem atingidos e os assaltantes acabaram por escapar roubando o carro-patrulha da Guarda. Ao início da noite, apenas um dos ladrões tinha sido preso, graças a uma popular.
O assalto ocorreu pelas 11h00 e durou apenas dois minutos. O trio ameaçou funcionários e clientes da CGD – gritando “dinheiro para o saco” – e fugiu num BMW preto furtado em Vila do Conde e com matrícula falsa. A GNR começou quase de imediato a perseguição, colocando barreiras na estrada.
Ao chegarem ao lugar da Bouça, os ladrões deram de caras com a GNR e fizeram inversão de marcha, entrando num caminho de terra batida, onde abandonaram o BMW e caminharam a pé até à localidade de Vale de Telhas, Mirandela.
Em frente ao Café Coelho, colocaram o saco com o dinheiro no chão, enquanto conferenciavam. Os populares, alertados pelas notícias, ligaram para a GNR. Os dois militares que foram ao local foram recebidos a tiro pelos assaltantes e, em inferioridade númerica, tiveram de se proteger. Os soldados estavam armados com pistolas 9mm.
A altura foi aproveitada por dois dos ladrões para fugirem no carro-patrulha da GNR. Para trás ficou o terceiro assaltante, que escapou a pé para o centro da aldeia.
No meio do tiroteio, foi apanhada uma equipa de reportagem da RTP. Para se proteger, a jornalista Andreia Valdigem atirou-se para dentro do carro, enquanto o operador de câmara Simão Martinho se refugiava atrás de um caixote de lixo (gravando a cena de tiros).
O carro-patrulha viria depois a ser descoberto abandonado em Romeu, Mirandela. A caça aos dois ladrões ainda fugidos continuava ao início da noite de ontem, com o auxílio de cães, nos montes próximos daquela localidade.
VARREDOURA APANHOU LADRÃO
Logo após o tiroteio, Fernanda Ruivo, varredora de ruas, foi com um irmão e um outro popular no encalço do assaltante que escapou a pé para o centro de Vale de Telhas. “Depois dos tiros fui, de bicileta, atrás do homem. Ele estava atrás de uma cerdeira. Os outros que me acompanhavam tiveram medo mas eu disse ao bandido: ‘Não tenha medo, sou da policia, à paisana’. Ele fugiu, mas atirei-me a ele, dei-lhe duas bastonadas. Agarrei-o e entreguei-o à GNR”, relatou a popular. Este assaltante, alegadamente ucraniano, vai ser hoje presente a tribunal. Os ladrões já tinham estado em Vale de Telhas pela manhã. Tomaram o pequeno almoço no café, onde viriam a ser surpreendidos pela GNR. Maria Azevedo, lojista nas galerias onde es-tá a CGD assaltada, diz que os assaltantes “pareciam desorientados”. Luís Silva disse que o trio tinha cerca de 25 anos e que eram “altos, magros e pálidos”.
FACTOS
SEM COLETE
Os dois agentes que enfrentaram os assaltantes em Vale de Telhas estiveram expostos aos tiros dos indivíduos a peito descoberto, sem coletes anti-bala e com menor poder de fogo.
MUNIÇÕES
Os assaltantes usaram luvas, gorros na cabeça, uma caçadeira de canos serrados e uma pistola de calibre 7.65. No chão foram recolhidas pelos populares sete munições deflagradas.
RECUPERADA
A viatura da GNR furtada foi recuperada pelos militares da Guarda, na localidade de Romeu, numa altura em que os assaltantes se colocaram em fuga através do mato.
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