A associação portuguesa de defesa do consumidor DECO denunciou às autoridades de Saúde a detecção da bactéria responsável pela Doença do Legionário, potencialmente mortal, nos circuitos de água quente de seis de 19 hospitais sujeitos a análise.
A bactéria que dá origem à Doença do Legionário desenvolve-se em redes de ar condicionado com sistema húmido, vulgares em grandes edifícios e centros comerciais, mas também em águas paradas, como nas piscinas, jacuzzis e fontes decorativas.
Quando a manutenção é deficiente, com temperaturas de 35 a 40 graus (e até aos 450 graus centígrados), a legionella desenvolve-se e, se inalada pelo ser humano, provoca a doença. Pode acontecer, por exemplo, ao respirar ar saído de um sistema de ar condicionado infectado, ou ao tomar duche com água a sair de uma canalização contaminada.
Os sintomas são febre, tosse, dificuldades respiratórias e dores musculares, sobretudo na zona do peito. A Doença do Legionário pode matar, mas é facilmente controlável quando detectada e tratada precocemente com antibiótico específico. É por isso que a DECO aconselha uma visita ao médico a todos aqueles que sintam os referidos sintomas e que tenham estado nos seis hospitais infectados.
O estudo abrangeu 19 unidades hsopitalares e detectou a legionella no circuito de água quente de seis deles: Hospital Cova da Beira (Covilhã), Hospital da Lapa (Porto), Hospital Distrital de Faro, Hospital Egas Moniz (Lisboa), Hospital dos Capuchos (Lisboa) e Hospital São José (Lisboa). Os resultados do estudo vão ser publicados na edição de Junho da DECO.
Em declarações à Rádio TSF, o secretário-geral da DECO, Jorge Morgado, explicou que informou há dois meses as administrações dos seis hospitais contaminados e pediu-lhes esclarecimentos sobre medidas que iriam tomar. Só duas administrações (Cova da Beira e Egas Moniz) responderam à carta da DECO e ambas referiram apenas ter comunicado o problema aos respectivos serviços de manutenção.
Na semana passada, confirmou o secretário-geral da DECO à TSF, a associação de defesa do consumidor enviou os resultados do estudo para a Direcção-Geral da Saúde, para o Ministério da Saúde, para as Administrações Regionais de Saúde e para a Inspecção-Geral de Saúde.
Jorge Morgado manifestou perplexidade. É um facto que a legionella desenvolve-se facilmente. Mas também é facto que todos os hospitais estão obrigados a ter uma Comissão de Controlo de Infecção que, pelos vistos, não estão a funcionar como deviam.
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