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Leu o CM? Isto é lindo!!!

A relação entre o motorista e “a doutora” era apenas “profissional”, diz João Paulo ao tribunal. E o assassino de Paulo Cruz só não explica a frase “gostava de lhe dar um beijinho”, interceptada a 29 de Janeiro pela Judiciária a Maria das Dores. Viúva há nove dias. A mesma escuta telefónica em que a mulher que ordenou o crime pergunta ao carrasco: “Já leu o Correio da Manhã? Isto é lindo!!” – no dia em que noticiámos a forma como o marido foi assassinado.

22 de novembro de 2007 às 00:00

Com o crânio esmagado à pancada.

O brasileiro juntou-se a um amigo cabo-verdiano, Paulo Horta, e com uma marreta das obras executaram o empresário à traição. A 20 de Janeiro Paulo Cruz foi atraído pela mulher ao 3.º direito do número 11 da Avenida António Augusto de Aguiar, Lisboa – e Horta lembra-se de o ver “a arrastar-se pelo chão. Aquele senhor sofreu”.

Os dois homicidas já confessaram o crime, insistem em empurrar um para o outro as pancadas fatais – e para João Paulo é indiferente. “Com marretadas, sem marretadas, a culpa é a mesma – eu assumo a minha responsabilidade”. Mas para o tribunal não é indiferente quem atacou primeiro o empresário e, já na próxima sessão, vão estar frente-a-frente.

A viúva continua em silêncio e a sessão de ontem ficou marcada pelo registo de chamadas e escutas telefónicas. O colectivo de juízes ficou a saber que nove dias depois do crime Maria das Dores se passeava por Torres Vedras acompanhada por “um senhor do SEF” – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – que até lhe estava a conduzir o carro (ver caixa ao lado). Antes de a deixar nas mãos do motorista João Paulo.

A chamada da viúva para o brasileiro é interceptada às 15h11 de 29 de Janeiro: “Estou a telefonar do senhor dos seguros”, diz Maria das Dores. “E eu quero estar consigo”, responde-lhe João Paulo. “Os sócios [da Campotec, empresa do marido] só me atendem na sexta-feira, vou lá impor-lhes a minha posição”, diz ela. E pergunta-lhe: “Já leu o CM de hoje? Isto é lindo! Isto só é péssimo para o Duartinho [o filho com seis anos], ele pensa que o pai morreu porque estava doente... Estou aqui com o senhor do SEF, que me está a guiar o carro (...), mas você diga--me onde está, quero beber um café consigo”. E o brasileiro, que está em casa, diz-lhe para “dispensar o homem”. A viúva termina: “Gostava de lhe dar um beijinho”.

Na facturação detalhada do telemóvel de João Paulo a PJ concluiu que, já na madrugada do crime, 19 de Janeiro, este recebeu pelo menos sete chamadas do mesmo número – que o motorista brasileiro confirma serem “da doutora”. Paulo Cruz deveria ter morrido nessa noite, quando o brasileiro e Paulo Horta montaram uma longa espera à porta de sua casa.

Mas o empresário foi rápido a entrar no condomínio e o crime ficou para o dia seguinte. Maria das Dores já propunha o homicício “há quatro meses”, diz João Paulo. E quando regressou de Nova Iorque com o marido, no início de Janeiro, “ofereceu 150 mil euros” para o matarem.

O "SENHOR DO SEF" AO VOLANTE

O juiz Carlos Alexandre preside ao julgamento e ouviu incrédulo a transcrição de uma escuta telefónica, feita a 29 de Janeiro, quando Maria das Dores diz ao brasileiro que lhe matou o marido estar “com um senhor do SEF” que até lhe estaria a conduzir o carro. “Eu começo a querer saber quem é o senhor do SEF”, avisou o juiz. Só que a viúva recusa-se para já a falar em tribunal e João Paulo, que foi motorista da família, foi o único interrogado na sessão de ontem. Contou que conheceu os Pereira da Cruz “através de um amigo”, o famoso cabeleireiro Duarte Menezes, para quem o brasileiro “já tinha feito uns trabalhos em casa”. Por exemplo? “Passear o cão”. E para “a doutora” era como “um braço direito, ajudava-a nas compras” e sempre pensou que ela o “tivesse como um filho”.

O TELEMÓVEL 'MISTERIOSO'

A viúva contratou o crime ao brasileiro João Paulo a partir de um telemóvel com cartão descartável, da TMN, mas deitou-o fora ainda na tarde de 20 de Janeiro. Só que, antes disso, o 112 foi accionado daquele número, o mesmo como foi feita uma chamada para o filho David, nos Estados Unidos, conforme o CM já adiantou. Ainda assim Maria das Dores negou à PJ que aquele telemóvel fosse seu – mas essa tese foi ontem desmontada por Francisco Dias Antunes, advogado da família da vítima. Na madrugada anterior ao crime João Paulo recebeu, pelo menos, sete chamadas daquele número – e o motorista brasileiro não tem dúvidas: nesse período só falou ao telefone “com Maria das Dores”. Os telefonemas continuaram ao longo do dia seguinte, sábado, com a viúva a ligar sempre que o homicida lhe dava “um toque”. Já Paulo Cruz estava prestes a entrar no apartamento onde morreu, depois das 17h00, quando o telefonema da mulher para o brasileiro demorou sete segundos. Depois do crime, ele ligou-lhe de volta: “Já está!”

VIÚVA COR-DE-ROSA

Maria das Dores continua por esclarecer o tribunal da sua inocência, mas apresenta-se na 6.ª Vara da Boa-Hora impecavelmente vestida: cabelo arranjado e, ontem, manteve o preto como cor base mas cobriu-se com uma écharpe cor-de-rosa. Na carteira levava água e uma fotografia do filho Duarte, sete anos, à guarda dos avós.

DAVID SEM BENGALA

Depois de se ter apresentado, há uma semana, de bengala (embora sem coxear), David Mota, filho do primeiro casamento de Maria das Dores, regressou ontem à Boa-Hora já bom da perna. E voltou a posar para as revistas cor-de-rosa.

A PRÓXIMA SESSÃO

O frente-a-frente dos dois homicidas é o momento esperado da próxima sessão, numa acareação marcada para as 14h30 da próxima quarta-feira.

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