Líder dos skinheads dava sentenças dentro do PNR

Mário Machado lidera os perigosos hammerskins no nosso país e, indirectamente, poderá também orientar a linha política do Partido Nacional Renovador (PNR). Terá dado “instruções ao presidente” José Pinto Coelho sobre a “estrutura orgânica, intervenções e iniciativas partidárias”, adiantam ao CM fontes policiais, conforme consta na transcrição das escutas telefónicas montadas durante meses pela Polícia Judiciária ao skinhead.
11.11.07
Líder dos skinheads dava sentenças dentro do PNR
Mário Machado geria intervenções no partido liderado por Pinto Coelho (à direita) Foto Fotomontagem CM
A operação levada a cabo pela Direcção Central de Combate ao Banditismo em Abril deste ano permitiu, já em Setembro, acusar o líder skin de 17 crimes – quatro dos quais em autoria material – por violência, discriminação racial e ameaças. O reincidente Mário Machado está em prisão preventiva e entre 33 elementos ligados à extrema-direita que o Ministério Público conta levar a julgamento.
Vão responder ainda por posse ilegal de armas, insultos, sequestros ou distribuição de propaganda nazi – e, para trás, a PJ deixa meses de investigação com vários meios de prova, entre eles escutas telefónicas.
José Pinto Coelho nega “categoricamente” ao CM que alguma vez tenha recebido instruções partidárias de Mário Machado – mas, segundo fontes ligadas à investigação, o teor das várias conversas gravadas “não deixam dúvidas. Há instruções ao nível de intervenções públicas, iniciativas do partido e até distribuição de cargos dentro do PNR”.
Estas conversas constam de um processo que Pinto Coelho diz não conhecer e é apanhado de forma colateral, mas o líder do PNR não tem dúvidas: “É claro como água que eu também estive sob escuta, mas não recebi quaisquer instruções partidárias. Sou um grande amigo do Mário Machado e claro que trocamos impressões sobre tudo, mas ele nunca me deu instruções”.
Certo é que existem, por exemplo, autocolantes de propaganda com a frase “A coisa está preta, o PNR resolve” – numa “clara alusão aos africanos imigrados em Portugal”, recordam fontes policiais. “E está envolvido o nome de um partido português num crime de discriminação racial”.
Mas o facto de um partido político em Portugal poder estar a ser instrumentalizado pelo líder dos skinheads “não tem relevância do ponto de vista jurídico”, diz ao CM o constitucionalista Jorge Miranda. “Quanto muito pode não ser correcto no plano ético, mas o facto de existirem instruções partidárias para além dos dirigentes formais não é punível na lei com a dissolução dos partidos”.

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