A construção de dois navios de patrulha oceânicos, com capacidade de combater um derrame de hidrocarbonetos, é o mais recente passo do Ministério da Defesa para combater desastres ecológicos marítimos.
O combate à poluição é uma das missões atribuídas à Marinha de Guerra, mas a verdade é que não há meios capazes de controlar uma situação poluidora, a não ser em águas fechadas ou ribeirinhas. E, no caso de um incidente como o do 'Prestige', (ver caixa) o apoio do estrangeiro seria a única solução.
No entanto, os dois navios, a construir em Viana do Castelo - orçados em 38 milhões de euros cada, com verbas conjuntas da UE, Ministério das Cidades e Ordenamento do Território e Ministério da Defesa -, deixam Portugal mais preparado para acudir às suas águas.
O operador das embarcações será a Marinha de Guerra, uma opção que tem a ver com a necessidade de aproveitar os conhecimentos específicos da Armada, que podem ser aplicados quer em missões militares quer de interesse público - o que evita a criação de estruturas paralelas, sempre mais dispendiosas.
Os dois navios, a ser lançados à água em 2006 e 2007, vêm com capacidade para contenção e recolha de hidrocarbonetos, dispondo de equipamentos específicos para realizar esta missão. Por exemplo, vão dispor de áreas para instalação de barreiras, equipamentos que podem ser lançados à água para isolamento da mancha poluidora, assim como de depósitos de dispersantes.
A recolha do material poluente é também feita a partir destes navios, embora com transbordo para outras embarcações ou barcaças.
NAUFRÁGIO DE 'PRESTIGE' MATOU COSTA DA GALIZA
O petroleiro 'Prestige' naufragou 28 milhas ao largo do cabo Finisterra, na Galiza, Espanha, no dia 14 de Novembro de 2002. As 77 mil toneladas de fuleóleo que transportava fizeram deste um dos maiores desatres naturais da história da navegação. Na origem do sucedido esteve um forte temporal que se fez sentir na zona do golfo da Biscaia naquela altura do ano.
Num primeiro momento, as autoridades espanholas procuraram rebocar o navio para Sul, para águas territoriais portuguesas, ao que se opuseram vasos da Armada nacional. Invertido o rumo, o 'Prestige' partiu-se em dois quando era rebocado para mar alto.
A primeira maré negra (três mil toneladas) atingiu as costas da Galiza a 16 de Novembro. Mais três dia decorridos e navio afundou-se. Algumas manchas (pequenas) ainda chegaram à costa portuguesa, mas as correntes acabaram por levar a mancha para Nordeste, chegando a França. O governo espanhol disponibilizou 16 mil milhões de euros para as operações de limpeza, num dos momentos mais difíceis do executivo de Aznar.
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