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Lindo cão! Toma lá Prozac!

O Bóbi não para quieto. Anda ali às voltas a tentar morder o próprio rabo. “Coisa de cão”, dirá a maior parte dos donos, mas a verdade é que esse comportamento pode indicar um distúrbio psicológico. Na Austrália, os casos de stress estão a aumentar nos cães e gatos, que cada vez consomem mais anti-depressivos.

18 de maio de 2005 às 00:00

De acordo com um estudo da Faculdade Australiana de Cientistas Veterinários, cerca de três a seis por cento dos cães e gatos do país dos cangurus sofrem de perturbações obsessivas compulsivas. Essas perturbações manifestam-se sob a forma de comportamentos estranhos, como morder a cauda, rodar sobre si próprio, correr atrás da sombra, andar devagar ou lamber-se interminavelmente.

A vida agitada dos grandes centros urbanos parece ser a causa do problema. O estudo conduzido pelo veterinário Robert Stabler indica que os comportamentos obsessivos dos animais têm origem numa combinação de dois factores: uma certa predisposição genética do animal e o ambiente em que vive, rodeado de lojas, escolas e outras “fontes de excitação”.

TRISTEZA PORTUGUESA

O consumo de antidepressivos em animais também tem aumentado em Portugal. Mas, segundo a médica veterinária Liliana Borralho, há outras explicações para o fenómeno. “A tendência é realmente para um aumento, mas isso também tem que ver com o aumento do número de consultas de animais decorrente de uma maior sensibilização dos donos para os seus problemas.”

A médica da Clínica Veterinária do Oriente lamenta não haver um estudo nacional sobre a depressão canina e felina, mas alerta os donos para estarem atentos aos comportamentos obsessivos dos seus animais.

Correr atrás da sombra ou tentar morder o rabo podem ser de facto sintomas associados a problemas comportamentais. “Embora a maior parte das pessoas considere que são comportamentos normais, são problemas que na maior parte das vezes têm cura.”

O estudo feito do outro lado do Mundo, que será apresentado esta semana no congresso anual da Associação Australiana dos Veterinários, revela ainda que os donos também podem transmitir ‘stress’ aos seus animais no fim de um dia de trabalho.

“O cão pode sentir o cheiro da adrenalina do dono ou observar mudanças na linguagem do seu corpo”, afirmou o investigador Robert Stabler, citado pelo jornal britânico ‘Daily Telegraph’.

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