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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Loja que vende drogas está a ser um sucesso

A loja Cogumelo Mágico tornou-se tema obrigatório de todas as conversas em Aveiro – e não é para menos: o negócio de porta aberta vende “drogas leves”.

10 de fevereiro de 2007 às 00:00

O estabelecimento de Carlos Marabuto, inaugurado anteontem, num centro comercial da cidade, com licença de “ervanária especializada”, já recebeu a visita da Polícia Judiciária. Segundo o proprietário, que explora também uma sex-shop num outro piso do mesmo centro comercial, os inspectores “levaram as amostras que quiseram e retiraram todos os pacotes de ‘erva ayahuasca’, porque dizem conter DMT. Mas deixaram os kits e as sementes de cogumelos alucinogénios”. Também a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) visitou ontem as instalações, verificou o licenciamento e recolheu amostras para análise.

Tanta controvérsia à volta da loja não preocupa Carlos Marabuto, de 42 anos, que diz ser “um homem avançado de mais para Portugal”, referindo-se ao facto de ter vivido durante 25 anos no País Basco e de assumir frontalmente ser consumidor de drogas leves.

A loja esteve ontem sempre a abarrotar, essencialmente de jovens – alguns dos quais não pareciam ser maiores de 18 anos. O interesse dos clientes, segundo o dono, dirigiu-se aos pacotinhos de erva sálvia (ou ‘erva Maria’). “Penso que é por ser o mais barato [cinco euros e meio] que temos para fumar.”

Como o CM pôde verificar, antes de qualquer compra choviam as perguntas – se as ervas podiam ser consumidas em charros e que tipo de efeitos alucinogénios provocavam. O desconhecimento acerca dos produtos era geral, no entanto, segundo Carlos Marabuto, “percebe-se que a maioria já consumiu haxixe ou marijuana, mas o que vendemos é menos prejudicial porque não é adulterado”.

Carlos Marabuto tem 42 anos e, apesar de ser natural de Aveiro, residiu durante mais de duas décadas no País Basco, para onde emigrou quando tinha 17 anos.

Depois de estar ligado ao mundo do espectáculo e de ter vivido uma experiência que classifica de quase “reclusão” numa quinta biológica em Navarra, regressou a Portugal para abrir a primeira sex-shop em Aveiro, em 2002.

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