Os cirurgiões dos Hospitais da Universidade de Coimbra realizaram com sucesso o seu 14.º transplante do fígado a partir de um dador vivo. A operação decorreu no dia 5 e permitiu salvar uma criança de nove anos de idade.
O dador foi a própria mãe. As pacientes deixaram o hospital sexta-feira e estão a recuperar bem.
A operação, noticiada ontem pelo semanário ‘Expresso’, foi realizada por uma equipa de 20 técnicos da Unidade de Transplantação Hepática dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Contou ainda com a colaboração do Hospital Pediátrico de Coimbra. Emanuel Furtado e Baptista Geraldes foram os médicos que chefiaram a operação. A cirurgia iniciou-se às 9h30 e só terminou à meia-noite.
Segundo o cirurgião Emanuel Furtado trata-se de uma operação inédita em Portugal. “Foi o primeiro transplante a partir do lado direito do fígado”, disse em declarações ao CM, explicando que “os riscos são bastante superiores e a dificuldade técnica também”. A opção pelo transplante da parte direita do fígado tem a ver com a idade da criança, mais velha do que é habitual. A outra parte do fígado, adianta, não seria suficiente.
A necessidade de intervenção surgiu devido ao agravamento do estado de saúde da crinaça que sofre de cirrose. Emanuel Furtado diz mesmo que havia risco de ocorrerem complicações que poderiam levar inclusivamente à morte.
A transplantação do fígado a partir de dadores vivos só se faz em Coimbra.
APELO VIA NET CONSEGUE ÓRGÃO
A mensagem transmitida era simples: precisava de um fígado para não morrer. A forma como Todd Krampitz, norte-americano de 32 anos, diagnosticado com cancro do fígado, o fez é que foi original. Através de uma autêntica campanha multimédia, que incluiu dois ‘outdoors’ numa das auto-estradas com mais trânsito na região de Houston, no Texas, um ‘site’ na Internet, panfletos e várias entrevistas nos meios de comunicação social, o americano conseguiu mesmo aquilo que pretendia e neste momento dispõe já de um novo fígado.
Quando informado que apenas poderia sobreviver com um transplante, lançou mãos à obra e fez o apelo essencial para lhe salvar a vida. E o resultado não poderia ter sido melhor. O fígado apareceu, doado por uma família americana não identificada, desconhecendo-se quando aconteceu a morte do dador.
Apesar da institutição norte-americana que está à frente dos processos de transplante no país ter manifestado a sua reserva no que diz respeito a este tipo de apelos, a verdade é que, para Todd Krampitz, foi a única forma de continuar vivo.
DADOR
Ao fim de mês e meio, o dador consegue recuperar a quantidade de fígado que tinha antes, graças à capacidade de regeneração deste órgão. O receptor deve ter os cuidados normais de qualquer outro transplantado.
CIRROSE
O álcool e a Hepatite C são os principais responsáveis pela cirrose do fígado. Esta resulta de lesões nas células do fígado (fibrose e formação de nódulos) que acabam por bloquear o fluxo do sangue.
CINEMA
O filme ‘John Q’ ilustra bem até onde pode ir a coragem e determinação de um pai para salvar o filho. Denzel Washington é John Quincy Archibald e está disposto a suicidar-se para dar o seu próprio coração ao filho.
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