A mulher suspeita de ter provocado a morte a um filho deficiente, de 23 anos, anteontem, em S. Miguel de D'Acha, Idanha-a-Nova, está detida nas instalações da Polícia Judiciária de Coimbra e hoje vai ser sujeita ao primeiro interrogatório judicial, no Tribunal de Idanha.
As circunstâncias da morte do jovem indignaram os populares e os amigos, tendo-se gerado uma enorme confusão, com ameaças de 'justiça popular' que só não se verificou devido à pronta intervenção da GNR, que serenou os ânimos.
Os vizinhos não têm dúvidas: "Foi ela que o matou porque sempre que ele estava em casa, não fazia outra coisa que maltratá-lo, muito por culpa das suas deficiências", disseram algumas pessoas da aldeia, que não se conformam com o fim do 'Carlitos', como era tratado pelos vizinhos.
A alegada agressora, apesar de ter seis filhos, mora sozinha e está divorciada do marido, emigrante na Alemanha. No sábado, os irmãos do Carlos Manuel ficaram indignados e, em desespero, culparam a mãe.
Tal como o Correio da Manhã noticiou ontem, tudo terá ocorrido poucos minutos antes das 11 horas de sábado, quando uma vizinha se apercebeu de muita confusão e gritos na residência. Os populares entraram na casa e encontraram o jovem, Carlos Manuel Carvalho, inanimado e com marcas de violência na zona do pescoço e nos membros.
"Estava com o corpo quente, mas apertei-lhe o pulso e já não senti qualquer pulsação. Vi logo que estava morto", adiantou Conceição Salgueiro, a primeira pessoa que chegou perto da vítima, tendo sido chamada pela alegada agressora.
"Para mim, a mãe amarrou-o com cordas e prendeu-lhe algo ao pescoço", sustentou Manuel Alexandre, outro popular, salientando "que ele morreu asfixiado, mas tinha mais marcas negras nos braços. Senti-me horrorizado".
Por sua vez, a mãe, de 50 anos, quando confrontada pelos vizinhos, negou que lhe tivesse feito mal, mas o aspecto da vítima levantou "fortes suspeitas" de crime à GNR, que pediu a comparência da Polícia Judiciária. A mulher foi detida, está nas instalações da PJ de Coimbra e vai ser hoje presente a tribunal.
“Sempre foi um pobre coitado”
Carlos Manuel Carvalho tinha dificuldades em andar, ver e falar, associadas a perturbações mentais e a incontinência, "mas nunca foi violento com ninguém", disseram alguns vizinhos, que nutriam pelo jovem uma grande estima.
Durante a semana frequentava a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Castelo Branco e só ficava ao encargo da mãe nos fins-de-semana.
A vizinha Maria da Conceição Salgueiro, de 68 anos, é das pessoas que melhor conheceu "a vida madrasta" de Carlos Manuel, que lhe mostrava as nódoas negras provocadas pelas agressões.
“Para além de ter sido uma pessoa muito doente, em casa nunca teve sossego, foi um infeliz, um pobre coitado", disse esta vizinha, que muitas vezes acolheu o 'Carlitos' em sua casa e lhe deu de comer, "sem a mãe saber, se não batia-lhe".
"Sempre que ele urinava nas calças ou na cama, ela, em vez de o ajudar, batia-lhe", referiu Conceição Salgueiro, salientando que um dia "deu-lhe uma tareia tão grande" que o deixou "parcialmente cego de uma vista".
Ainda transtornada com o caso frisou que não fez mais por ele porque não pôde, mas “alguém poderia ter evitado esta morte. Sempre fomos grandes amigos e eu tinha muita pena dele, mas a mãe não gostava que nós os ajudássemos", acrescentou.
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