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Correio da Manhã

Portugal
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Máfia italiana lava dinheiro em Portugal

Giovanni Lore, um dos mais perigosos chefes da máfia siciliana, procurado por toda a Europa, foi capturado em Carvalhal, no Bombarral. Estava numa vivenda usada como sede de um grupo criminoso que, através de um esquema de burlas, branqueava dinheiro, nomeadamente de origem mafiosa, e foi detido na quinta-feira, pela PJ de Leiria, com mais três italianos, dois portugueses e uma mulher brasileira.
23 de Outubro de 2010 às 00:30
Giovanni Lore à saída do Tribunal de Leiria
Giovanni Lore à saída do Tribunal de Leiria FOTO: Ricardo Graça

Na ‘Vivenda do Sossego’, os investigadores foram surpreendidos por um sofisticado sistema de videovigilância, que permitia o controlo rigoroso das entradas e saídas. "Havia vários computadores, alguns portáteis, e imensos telemóveis com baterias suplentes", disse ao CM fonte policial, adiantando que o grupo foi criado no início do ano, após Giovanni Lore, 45 anos, ter fugido de Vigo, Espanha, onde se escondera após a captura de 30 operacionais da Máfia.

Em Portugal, o italiano liderava um grupo de burlões que compravam bens alimentares e os colocavam no mercado, depois de passarem por um armazém grossista, em Torres Novas, nunca pagando aos fornecedores. "Só de uma vez adquiriram 80 mil euros em alimentos", adiantou o coordenador da PJ de Leiria, Carlos do Carmo, frisando que em poucos meses terão movimentado "quatro ou cinco centenas de milhares de euros".

PERFIL

Giovanni Lore nasceu em Itália a 11 de Abril de 1965. Liderava uma das mais importantes redes mafiosas sicilianas, e as autoridades adiantam que é extremamente violento e anda frequentemente armado. 

QUERIAM FICAR COM DUAS CASAS

Há um mês, o mafioso terá feito uma proposta de aquisição da ‘Vivenda do Sossego’, que tinha arrendado a um emigrante em Inglaterra. "Queriam comprar a casa onde estavam a morar e a própria casa do emigrante, mas a família não estava interessada", diz Conceição Rocha, que esteve quase a vender--lhes uma habitação.

"IA BUSCAR-LHES AS PROSTITUTAS"

Carlos Nogueira, taxista no Bombarral, fazia serviços para o mafioso siciliano há nove meses. Transportava prostitutas e casais chegados ao aeroporto de Lisboa. "Nunca tive razão para desconfiar. Disseram-me que trabalhavam no sector dos congelados", conta ao CM.

Carlos Nogueira conquistou a confiança de Giovanni Lore e ia buscar ou levar as prostitutas a casas de alterne de luxo em Lisboa e a casas particulares, desde Santarém até ao Algarve. "Nos últimos quatro dias desta semana, fui 14 vezes a Lisboa", salientou.

"Dava-me 1500 euros de serviços por mês." A dada altura, passou a entrar na vivenda. "Era um corrupio de italianos, que via a entrar e a sair. O grupo tinha mais de 50 pessoas. A casa tinha três quartos e estava a ser equipada com computadores e ar condicionado. Os portões são eléctricos e tem sistema de videovigilância", descreve.

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