Entregou-se anteontem, à Polícia Federal, Rodrigo Palinhos, o terceiro português que era procurado por alegadamente pertencer à cúpula da megaquadrilha de traficantes de droga que enviava cocaína do Brasil para Portugal. Rodrigo, que estava com a prisão preventiva decretada desde terça-feira, entregou-se à polícia no aeroporto do Rio de Janeiro e foi imediatamente transferido de avião para Goiânia, a cerca de mil quilómetros, onde o processo está a ser centralizado.
Em Goiânia, Rodrigo Palinhos vai ficar na mesma prisão onde já estão outros dois portugueses: o seu pai, José Palinhos Pereira, acusado de ser o chefe da quadrilha no Brasil; e António dos Santos Dâmaso, que as autoridades dizem ser o chefe da rede a nível internacional.
Segundo a polícia, foram abertos em nome de Rodrigo Palinhos vários restaurantes e empresas, que seriam usadas para branquear o dinheiro do narcotráfico.
Ao entregar-se à polícia, Rodrigo Palinhos, muito emocionado, afirmou que foi usado pelo pai e que, na verdade, não tem qualquer ligação com o tráfico.
“Quando eu fui sócio dele (José Palinhos), tinha 20 anos e acabado de chegar ao Brasil, vindo de Portugal. Fui sócio e assinei uma procuração em seu nome, mas nunca administrei nada. Eu, para ele, era um mero número de contribuinte (para abrir empresas)”, disse o jovem.
Rodrigo desabafou com os jornalistas: “E vão ver, se ele não tivesse sido apanhado agora, os filhos mais novos, que são menores, quando crescessem seriam iguais. Ele não tem um mínimo de decência”.
José Palinhos foi preso quinta-feira da semana passada no Rio de Janeiro juntamente com António dos Santos Dâmaso e mais cinco pessoas. De acordo com a polícia brasileira, eles estavam a preparar duas toneladas de cocaína pura, apreendida num armazém frigorífico no Rio, para embarcar num navio rumo a Portugal, onde seria distribuída.
A droga estava a ser disfarçada no meio de 50 toneladas de carne congelada que iam ser exportadas legalmente para o nosso país.
DO LUXO PARA CAMAS DE CIMENTO
Habituados a um luxo quase afrontoso, os três portugueses enfrentam desde a sua captura uma realidade que talvez nem imaginassem existir. Dormem em beliches de cimento, não têm lavatório nem sanita e tomam banho com água fria. António dos Santos Dâmaso, José Palinhos Pereira e o filho, Rodrigo Palinhos, foram transferidos para a cadeia da Polícia Federal de Goiânia, a mais de mil quilómetros do Rio de Janeiro. Ocupam celas pequenas (três metros por dois), com chão, mesa e cama de cimento e, na casa de banho, um cano com água fria e um buraco no chão para as necessidades.
Ainda assim, as condições são bem melhores do que as que podem vir a encontrar numa qualquer prisão brasileira caso venham a ser condenados (podem apanhar até 20 anos de cadeia). Os portugueses viviam rodeados de luxo. António Dâmaso tinha uma quinta com gado, um apartamento no Rio de Janeiro (avaliado em dois milhões de euros), vários carros de luxo (blindados) e muito dinheiro em notas. José Palinhos tem propriedades em Goiás avaliadas em 21 milhões de euros, duas redes de restaurantes de luxo e mais de dez carros de luxo.
DIRECTOR INTERVÉM
O desaparecimento da sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro de 700 mil dólares apreendidos durante a operação provocou a intervenção da cúpula da PF. Por ordem do ministro da Justiça, Márcio Tomás Bastos, o director nacional da polícia, Carlos Lacerda, foi para o Rio, onde ficará até ser esclarecido o furto.
ARRESTAR BENS
Na operação policial, designada por ‘Caravelas’, foram apreendidos um total de 128 carros de luxo que a Polícia Federal está a transportar para a sua sede em Brasília. O objectivo das autoridades brasileiras é arrestar os bens dos traficantes. A Polícia Federal admite já vender em breve o gado de António Dâmaso.
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