page view

MARISCO-BEBÉ ILEGAL VENDIDO A ESPANHA

Uma quantidade significativa de marisco pescado na Lagoa de Óbidos não tem os tamanhos mínimos e apesar da Polícia Marítima multar os mariscadores, estes continuam a arriscar e a colocar no mercado o produto recolhido na faina, porque dizem não ter outro sustento.

29 de agosto de 2003 às 00:00

Um dos principais destinos dos bivalves ainda crias são viveiros espanhóis, que fazem grandes receitas com o negócio, uma vez que o marisco quando é introduzido no mercado passa a custar muitas vezes mais.

Um mariscador da Foz do Arelho disse que "estão a ser apanhados milhares de quilos de amêijoas sem a medida legal, que nem o tamanho da unha do dedo mindinho têm, que, sem guias ou facturas, têm como destino os viveiros de engorda em Vigo, na Galiza".

Segundo relatou, "os bivalves bebés são entregues por pescadores num armazém na Foz do Arelho, pesados e colocados nos carros de frio estacionados à porta. Espera-se pela madrugada para fazer a viagem para os pontos de encontro, onde são carregados em carros espanhóis".

O mariscador, que pediu anonimato por recear represálias, defendeu que o negócio envolve "muitas centenas de milhar de euros por dia". Os bivalves bebés são vendidos a três euros o quilo, enquanto os de tamanho regulamentar renderiam oito euros e meio o quilo, havendo "sete ou oito mariscadores que vendem a amêijoa pequena", explicou

O ambientalista Maximino Martins propõe uma "acção disciplinadora", através da Associação de Mariscadores e Pescadores (AMP), que também poderia criar locais onde fosse proibida a faina em períodos a acordar com as autoridades.

António Almeida, da AMP, considera que a apanha de bivalves está fraca. O marisco é "miudinho" e "se for apanhado, para o ano não há marisco grande".

Mário Lemos, proprietário de uma empresa de depuração e comércio de marisco na Foz do Arelho, disse que o problema está na necessidade dos mariscadores em vender tudo o que apanham, para sobreviverem, o que faz com que haja grandes quantidades de bivalves com tamanho indevido a passar pela Docapesca.

Silva Ribeiro, comandante da Capitania do Porto de Peniche, disse que "a Polícia Marítima faz fiscalizações frequentes e tem verificado diversas irregularidades". Os prevaricadores incorrem numa contra-ordenação no valor mínimo de 600 euros, que pode ser reduzida a metade se se tratar de embarcações de convés aberto ou não houver auxílio de barcos.

A extensão da Lagoa, com margens ao longo de vinte quilómetros, dificulta a acção da Polícia Marítima.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8