O jovem de 26 anos, identificado como Jorge V. e detido pela PJ de Portimão pelo homicídio de um idoso de 76 anos, Francisco Martins Rodrigues, em Pedreiras, S. Bartolomeu de Messines, na terça-feira, terá sido também o autor do assassínio de Anastácio Cabrita Guerreiro, de 60 anos, em Agosto de 2000, no sítio da Zimbreira, pertencente à mesma freguesia do concelho de Silves. Anastácio era genro de Francisco e, em ambos os casos, o presumível homicida aparecia como “muito amigo” das vítimas.
A Polícia Judiciária de Portimão, responsável pelas investigações, logrou, entretanto, identificar e deter um segundo indivíduo que terá estado também envolvido na morte da última vítima. Trata-se de um homem de 35 anos, servente de pedreiro mas que estava agora a efectuar trabalhos rurais e reside na área de Messines. Presente ontem ao Tribunal de Silves recolheu à cadeia, tal como o seu amigo Jorge V.
Os factos relativos aos dois crimes foram confirmados ontem pela Polícia Judiciária de Portimão, responsável pelas investigações. Segundo a PJ, Anastácio Cabrita Guerreiro, de 60 anos, pastor, tal como o sogro, foi encontrado morto, num caminho rural, em consequência de agressão.
Sobre o presumível homicida, identificado como Jorge V., que, tal como o CM noticiou, se encontra já em prisão preventiva, recaíram, à época, algumas suspeitas, mas nada de conclusivo. Desta vez, contudo, a PJ conseguiu reunir os indícios necessários para esclarecer o crime.
Em declarações ao CM, o filho de Anastácio Guerreiro e neto de Francisco Rodrigues revelou que a família ficou “consternada e estupefacta” quando teve conhecimento da identidade do presumível homicida: “O Jorge era praticamente o melhor amigo do meu pai e do meu avô. Andavam muito juntos e, no caso do meu pai, até chegou a dormir lá em casa”, disse António Anastácio Guerreiro.
Com 21 anos, militar do Exército, o familiar das vítimas revelou ainda que havia o receio de que alguma coisa de mal pudesse acontecer ao seu avô, “mas devido à inimizade de alguns familiares que moram nas Pedreiras e não ao Jorge”, acrescentando: “O meu avô era um homem muito dado, que gostava de conviver. Se foi o Jorge o assassino, então é a segunda vez que mata dentro da minha família, fingindo ser muito amigo.”
O móbil do crime terá sido o roubo da reforma (cerca de 200 euros) que a vítima teria recebido no dia anterior, como o CM noticiou ontem.
Jorge V. e o cúmplice, que sabiam do facto, deslocaram--se à casa do idoso, matando-o com um tiro de pistola, no rosto, enquanto dormia. O primeiro foi visto, manhã cedo, junto da casa da vítima. Foi aliás Jorge V. quem, na companhia de um vizinho, ‘descobriu’ o corpo e alertou a GNR.
"QUEM ASSASSINOU O MEU PAI DEVE SER UMA PESSOA CONHECIDA"
“O corpo do meu pai tinha vestígios de uma pancada na cabeça e apresentava uma perfuração no peito. Foi o próprio indivíduo suspeito de o ter assassinado, o Jorge V., quem me disse que encontrou um pau de vinha, ensanguentado, no local”, referiu ao CM , o filho de Anastácio Cabrita Guerreiro, o pastor de 60 anos que foi morto por agressão em 19 de Agosto de 2000 e cujo cadáver foi encontrado num terreno “isolado e arenoso”, no sítio da Zimbreira, S. Bartolomeu de Messines, e que terá sido a primeira vítima do presumível homicida.
De acordo com António Guerreiro, o seu pai “tinha na altura 100 contos no bolso da camisa, mas só lhe roubaram a carteira e um anel”. “Ele tinha saído com o gado, de noite, e, segundo o relatório médico, a agressão terá ocorrido entre as zero e as três horas da madrugada. A morte, porém, só sobreveio cerca de oito horas depois. Ele tinha levado os cães e uma pistola 6.35, pelo que quem o matou teve de ser pessoa conhecida e de sua confiança. De outra forma, nunca se teria conseguido aproximar dele”, frisou, chocado pela falsa amizade de Jorge V.
"SEM PROPENSÃO PARA O TRABALHO"
Populares contactados pelo CM em S. B. Messines e no sítio das Pedreiras, onde residia e foi morta a segunda vítima de Jorge V., não se mostraram surpreendidos com o facto de ser ele o suspeito pela autoria dos dois crimes. “Ele encontra-se desempregado e, tanto quanto sabemos, nunca teve qualquer propensão para o trabalho honesto”, disseram.
Os mesmos populares, que solicitaram o anonimato, referiram que o jovem de 26 anos “era muitas vezes visto a consumir, nomeadamente em cafés e bares, mas não se lhe conheciam quaisquer fontes de rendimento”. Além disso, o indivíduo teria adquirido recentemente uma motorizada, a qual estaria a pagar a prestações e na qual transportou muitas vezes a sua mais recente vítima, o pastor Francisco Rodrigues, de 76 anos, com o qual mantinha uma relação de amizade.
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