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Matou ex-mulher a tiro

Uma mulher de 27 anos, com cinco filhos, foi assassinada a tiro pelo ex-companheiro e pai das crianças, em Vilar dos Prazeres, Ourém, duas horas depois de revelar no posto da GNR que o antigo amante queria matá-la.

09 de fevereiro de 2007 às 00:00

“Estás a ver esta pistola? É para te matar”, terá dito o homicida, virando-se em seguida para o filho mais velho, de 12 anos, que assistia à conversa: “Se matar a tua mãe, tu um dia perdoas-me?”, perguntou.

De acordo com familiares da vítima, o homem terá agido “por ciúmes e porque não queria a separação”, ocorrida há um ano. O crime deu-se quarta-feira pelas 19h00. Márcia Silva regressou do posto da GNR e tinha acabado de estacionar o carro debaixo de um alpendre, ao lado do prédio amarelo de três pisos onde residia, na Rua dos Castelos.

A mãe, que tinha ido com ela formalizar a queixa-crime, às 17h00, afastou-se uma dezena de metros do Fiat Panda para fechar o portão. Pedro, de 37 anos, estava escondido, à espera. Saiu do escuro e disparou três vezes. “É agora!”, terá gritado, ignorando as súplicas de Margarida, que viu a filha morrer-lhe nos braços. “Pedro, não faças isso!”, implorou a mulher.

Márcia estava sentada ao volante quando foi atingida uma vez na zona do coração e duas vezes num braço. A GNR encontrou-a na cama, para onde os familiares a levaram. Vivia no 3.º piso, por cima da casa da mãe e irmãos.

O agressor fugiu a pé e desfez-se da pistola 6,35 mm ilegal num pinhal, mas seria detido uma hora depois, num café em Santo Amaro, de onde telefonou para a GNR, confessando o crime. Está em prisão preventiva. A arma foi recuperada.

Pedro e Márcia viveram maritalmente durante 11 anos e estavam separados há um ano. De acordo com Margarida Vidal, mãe da vítima, passaram o dia juntos. Pedro residia em Mafra, onde trabalhava na construção civil, e foi a Vilar dos Prazeres ver os filhos. Almoçaram, mas à tarde vieram as ameaças. “Ele disse--lhe: ‘se não és para mim não és para ninguém’”, contou a mãe da vítima.

Ontem, o homicida telefonou a uma cunhada, pedindo desculpa. Segundo Fernanda Silva, irmã de Márcia, “as ameaças de morte surgiram há cinco meses” e havia queixas na GNR. “Ela chegou a gravar as conversas e a GNR não as aceitou. Foi preciso ela morrer...”, concluiu.

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