Macabro. É assim que os moradores do Alto da Faia em Telheiras, Lisboa, descrevem o crime ocorrido sexta-feira: um estudante de 24 anos espancou a ex-namorada (de 21), queimou-a e tentou ocultar o cadáver num caixote do lixo camarário que tinha ido buscar à rua.
No prédio com o número 40, da Rua Professor Prado Coelho, ninguém sabe as horas exactas a que o crime ocorreu. Não se ouviram gritos sequer. “Ouvimos o rapaz a partir a porta do rés-do-chão direito. Depois houve quem o visse a entrar e sair da casa muito agitado”, disse ao CM uma moradora que preferiu manter o anonimato.
Dizem os moradores que André C., um estudante de psicologia, era conhecido por atitudes violentas. Já tinha partido os vidros do prédio, lançado objectos contra os vidros dos carros estacionados e protagonizado várias cenas de violência com ex-namoradas.
Pelas 18h00, André C. já teria cometido o crime. O desespero era, por esta altura, esconder o cadáver. “Uma senhora viu-o ir à rua buscar um caixote do lixo da câmara. Levou-o para dentro de casa”, acrescentou a moradora.
A testemunha nunca pensou para que é que seria o caixote. Mas, pelas 18h30, a namorada de André C. chegou a casa e descobriu porquê. Quando abriu a porta a advogada deparou-se, na sala, com o cadáver de Ana F., ex-namorada do companheiro, enfiado num caixote do lixo. Saiu a correr e chamou a polícia.
“O agressor tinha espancado a vítima até esta ficar inconsciente. Depois cobriu--a com álcool, da cintura para cima, e queimou-a”, disse uma fonte policial ao nosso jornal. Segundo outra fonte, Ana F. “estava despida da cintura para cima. Com marcas de ferimentos traumáticos e queimaduras por todo o corpo. Da cintura para baixo estava enfiada no caixote do lixo”.
No quarto estava André C., segundo testemunhas, em estado de choque. O estudante, filho da secretária do presidente da Câmara de Vila Viçosa, morava naquela casa há cerca de dois anos. Os vizinhos ter-se-ão queixado por várias vezes aos pais, proprietários da fracção, por atitudes de vandalismo. Ana F. seria uma ex-namorada do agressor. Filha de um empresário de mármore, em Estremoz, encontrava-se em Lisboa a frequentar um curso superior.
A PJ deteve André C, que aguarda julgamento em prisão preventiva.
AGRESSIVIDADE JÁ ERA CONHECIDA
André C., natural de Vila Viçosa, já tinha alugado várias casas em Lisboa. Mas “por mau comportamento acabou por ser expulso”, disse uma vizinha ao nosso jornal. A casa em Telheiras foi comprada pelos pais do estudante, já referenciado pela PSP por consumo de estupefacientes. “Ele consumia drogas duras e ficava agressivo”, acrescentou a vizinha. “Até latas de feijão lançava pela janela, contra os carros”, disse. Actualmente o agressor partilhava a casa com uma jovem advogada e terá sido ela a denunciar o crime às autoridades.
Depois nunca mais ninguém a viu. Os vizinhos admitem ter chamado, por diversas vezes, os pais de André C. por atitudes agressivas. Há ainda quem diga que o suspeito do homicídio de Ana F., uma estudante natural de Estremoz, era conhecido por ter muitas namoradas às quais infligia vários actos de violência.
VISITA
Ana F., uma estudante de 21 anos, terá visitado o ex-namorado na sua casa em Telheiras, Lisboa. Um desentendimento levou a que André C. a espancasse até à morte.
AGITADO
André C., habitante do rés-do-chão frente, saiu de casa, na tarde do crime, e partiu a porta do rés-do-chão direito. Sabia que os vizinhos, com quem se desentendia, não estavam lá.
TESTEMUNHAS
O agressor foi visto a entrar e sair de casa várias vezes, até que levou um caixote do lixo para a residência. A companheira chegou e deparou-se com o macabro cenário.
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