Um jovem foi esfaqueado nas costas e um homem agredido na cabeça com uma pedra, anteontem à noite, numa rixa em S. João da Madeira, alegadamente devido ao roubo de um telemóvel. A Polícia identificou sete pessoas, mas o clima na ‘faixa de Gaza’ – como é conhecido o bairro do Orreiro, onde aconteceram os desacatos – está a ferver e elementos do ‘Gang do Gueto’ prometem vingança.
João Vítor Carvalho Viegas (‘Black’), de 18 anos, membro do autodenominado ‘Gang do Gueto’, foi esfaqueado nas costas e está internado em estado grave no Hospital Santos Silva, em Gaia.
Joaquim Costa Brandão, de 49 anos, que alegadamente integrava um numeroso grupo que foi em busca do ‘Gang do Gueto’, foi agredido na cabeça com alguma gravidade, mas recebeu alta durante a madrugada de ontem.
Um dos elementos do gang, que falou ao CM pouco depois da rixa, garante que não sabe “porque é que os outros vieram ter connosco”. No entanto, elementos do outro lado da ‘barricada’ afirmam que tudo começou quando um elemento do ‘Gang do Gueto’ furtou, num café do centro da cidade, um telemóvel ao filho de Joaquim Brandão, residente em Mosteirô, Santa Maria da Feira.
Pai e filho quiseram fazer “justiça pelas próprias mãos” e reuniram vários elementos de outros grupos de jovens da cidade que se encontraram no bairro de Fundo de Vila, a escassas centenas de metros do Orreiro. “Eles vieram dos bairros de ‘Marrocos’, Fundo de Vila e da Mourisca, mais os de Mosteirô”, afirmam os jovens do Orreiro. Pouco depois das 22H00, “os membros do ‘Gang do Gueto’ estavam sentados ao lado do café, quando apareceram cerca de 30 homens e rapazes e começaram a provocá-los”, conta uma jovem do bairro do Orreiro, que assistiu a tudo. “Houve uma discussão e depois envolveram-se à porrada”, relatou. Nessa altura, o mais velho dos desordeiros “puxou de um chicote e começou a distribuir porrada”.
Um dos ‘invasores’ que entrou no bairro conhecido como ‘Faixa de Gaza’ deu então uma facada a ‘Black’. “Eles fugiram, mas nós fomos atrás deles”, descreveu um membro do ‘Gang do Gueto’. Joaquim Brandão acabou por ser agredido na cabeça, supostamente com uma pedra, mas um dos envolvidos garante que foi ao murro.
Minutos depois chegava a Polícia, encontrando o jovem esfaqueado a algumas centenas de metros do local, e Joaquim Brandão, mais à frente, dentro de uma carrinha, supostamente preparando-se para escapar.
SUSPEITOS DE VÁRIOS FURTOS
O ‘Gang do Gueto’, constituído por jovens com idades entre os 16 e os 22 anos, está referenciado por dezenas de furtos de automóveis, em particular Fiat Uno, e assaltos a estabelecimentos comerciais da região. Este grupo alicia, também, outros jovens, menores, para actuarem com eles.
Um elemento do gang disse ao CM que as suspeitas são infundadas e garante que são “pacíficos”. Os “outros”, diz, “é que andam sempre armados com bastões e facas e são conhecidos da Polícia por andarem sempre em confusões no centro da Praça Luís Ribeiro”, em São João da Madeira.
EXIGIDA MAIS POLÍCIA
Os moradores do Orreiro exigem mais policiamento para o bairro. Manuel Ribeiro, proprietário de um café , explica que “a Polícia passa por aqui, mas é sempre de carro e nem param. Nós queríamos que eles andassem a pé”. “Quando fecho o café à meia-noite, saio sempre com medo, porque às vezes estão à porta alguns grupos com ar e comportamento suspeito”, justifica Manuel Ribeiro.
Segundo o comandante da PSP de S. João da Madeira, subcomissário Carlos Duarte, o bairro do Orreiro “é um dos locais mais policiados da cidade, a par de outros tidos como mais problemáticos” e palco de vários desacatos.
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