PSP apanhou empregada doméstica de Miguel Arruda vestida com roupa furtada pelo ex-deputado do Chega.
Mensagens 'tramam’ mulher de Miguel Arruda que também vai a julgamento pelo crime de recetação
Miguel Arruda e a sua mulher terão oferecido à empregada doméstica – que, à época, trabalhava na residência do casal em Ponta Delgada (Açores) –, roupa que o ex-deputado do Chega havia furtado de malas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
Arruda foi intercetado pela PSP no dia 25 de janeiro de 2025 e, nesse mesmo dia, as autoridades, que realizavam as primeiras buscas à residência do ex-deputado, depararam-se com Letícia P. vestida com “um t-shirt da marca Sandro Paris, de cor amarelo claro” e “um conjunto de calças e camisa, cor azul clara com estampado floral”. De acordo com o despacho de acusação do Ministério Público, a que o CM teve acesso, as peças de roupa terão sido dadas à funcionária pela mulher de Miguel Arruda.
O ex-deputado do Chega foi agora acusado pelo MP de 21 crimes de furto qualificado por ter alegadamente subtraído várias malas no aeroporto de Lisboa, entre outubro de 2024 e janeiro de 2025. A sua mulher, Ana Arruda, foi acusada de um crime de recetação, por ter presumivelmente usufruído de roupa e outros bens que saberia que tinham sido furtados pelo marido.
A acusação revela ainda as mensagens, via telemóveis, que os dois arguidos terão trocado entre si. Os diálogos comprovam que ambos estavam conscientes dos crimes cometidos.
Miguel Arruda: Queres para ti? Ou vendo?
Ana Arruda: Onde arranjaste isso?
Miguel Arruda: Não interessa, heheheh. Queres ou não? É original.
Ana Arruda: Sabes que há câmaras nos aeroportos? Eu gosto e fico com esse, mas não se faz mais isso, please. Que medo de seres apanhado. Que vergonha.
Ana Arruda: Fod..., só cenas caras, mais uma mala no aeroporto?
Miguel Arruda: Não tens nada a ver com isso, heheheh. Ou queres ou meto à venda?
Ana Arruda: Por favor, que seja a última vez. Eu fico aflita. Eu quero, é bonita e é mesmo o meu género
Miguel Arruda: Queres as duas? Ou meto à venda?
Ana Arruda: Sim, fico com as duas
[Miguel Arruda envia à mulher duas fotografias de um computador portátil da marca Apple]
Ana Arruda: Oh, boa. Muito caro?
Miguel Arruda: Pois. Foi muito ‘caro’
Ana Arruda: Então? Foi na mala?
Miguel Arruda: Não tens nada a ver com isso hehehehe. Desta vez as ofertas são para ti lololol
[Miguel Arruda envia à mulher duas fotografias de umas sapatilhas, da marca Nike]
Ana Arruda: Lindas sapatas Onde arranjaste? Qual é o número?
Miguel Arruda: 40... comprei
Ana Arruda: Poh, mas é muita sorte mesmo
Miguel Arruda: Vendo?
Ana Arruda: Opá, acho que não. As outras brancas são muito confortáveis
Miguel Arruda: Já estão lavadas para ir para aí. Tem mais umas
Ana Arruda: Mostra, heheh
[Miguel Arruda envia três fotografia com sapatilhas, sapatos e botas]
Ana Arruda: Trás isso tudo que vê-se cá, heheh. Eu fico nervosa com essas tuas ‘compras’
O valor do conteúdo das malas de que Miguel Arruda se terá apropriado não foi, na maioria dos casos, apurado, mas só duas delas tinham roupa, calçado e bolsas de marcas de luxo avaliadas globalmente em quase 12 mil euros.
De acordo com a acusação, os artigos terão sido oferecidos à mulher e à empregada doméstica, e outros colocados à venda na Vinted. O ex-deputado do Chega utilizou a morada da Assembleia da República para criar a conta nesta plataforma digital.
Só no gabinete de Miguel Arruda no parlamento foram apreendidas pela PSP seis malas de viagem e uma mochila aparentemente de desconhecidos. Nas residências do casal em Ponta Delgada e em Lisboa foram ainda encontrados quase 30 artigos pertencentes a desconhecidos, incluindo um computador portátil.
Miguel Arruda, que, tal como a mulher, está em liberdade sujeito a termo de identidade e residência.
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