O final do mês é, para muitos, a melhor altura, sinónimo de dinheiro na conta bancária e possibilidade de abrir os cordões à bolsa para gastar o ordenado acabado de receber. E o fim do mês de Fevereiro tem ainda melhor sabor, já que chega mais cedo – ou não fosse ele o mês mais pequeno do calendário, este ano só com 28 dias.
A História divide-se nas explicações que justificam o facto de Fevereiro ser o mês mais pequeno do ano. Concorda, no entanto, com os responsáveis: os romanos. Já sobre o porquê do mês ter, de quatro em quatro anos, mais um dia, não há dúvidas. “A justificação pode ser encontrada na astronomia e tem muitos, muitos anos”, explica ao CM Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa. “Os milhões de pessoas que vivem no lado Norte do Planeta sempre gostaram de sentir a Primavera a 21 de Março e o seu início era medido astronomicamente, quando o sol se posiciona de uma determinada forma em relação à Terra”, acrescenta o especialista.
Mas, todos os anos, o eixo da Terra é ligeiramente alterado quando o planeta dá a volta em torno do Sol. O resultado é que um dia não tem exactamente 24 horas, mas pouco mais de 23. Um ano não dura 365 dias, mas 365,25 dias, ou seja, mais seis horas, o que apresenta um desfasamento de aproximadamente um dia a cada quatro anos, que tem implicações graves nas sociedades, sobretudo nas actividades que dependem de um conhecimento preciso das estações do ano, como a agricultura.
Para reduzir o erro, foi criada a regra do ano bissexto, acrescentando-se um dia ao calendário de quatro em quatro anos, uma regra adoptada definitivamente no tempo de Júlio César.
Mas nem assim as contas estavam bem feitas. “Ao acrescentar mais um dia, estamos a acrescentar mais qualquer coisa e, por isso, é preciso fazer um acerto”, diz Rui Agostinho. É que o ano não tem exactamente 365,25 dias, mas sim 365,2422. Foi um papa, movido por preocupações religiosas, que tomou a decisão de acertar as contas – e fazer de Fevereiro um mês de excepção.
O PAPA QUE ACERTOU OS DIAS
No final do século XVI, o erro que vinha dos tempos do Calendário Juliano tinha resultado numa acumulação que preocupou a Igreja Católica, já que os feriados religiosos, momentos fundamentais para a vida de toda a sociedade, não estavam a ser celebrados na data correspondente. Em 1582, o calendário estava desfasado em mais de dez dias, o que levou o Papa Gregório XIII a fazer um acerto radical. Reuniu os melhores astrónomos e matemáticos daquele tempo e incumbiu-os de fazerem os cálculos necessários para determinar com correcção o calendário. Apoiado nos pareceres daqueles cientistas, o chefe da Igreja Católica tomou uma decisão – que logo teve força de lei não só nos estados papais mas também nos países onde a sua influência mais se fazia sentir, incluindo Portugal. De 4 de Outubro passou-se para 15 de Outubro. O Papa mandou ainda refazer as contas e juntar, de quatro em quatro anos, mais um dia. E incluiu uma nova regra. Convencionou-se que Fevereiro tivesse apenas 28 dias, com excepção daqueles que sejam divisíveis por 400 – os anos bissextos, em que o segundo mês do ano tem 29 dias.
MAU AGOIRO
Ao longo da História muitos foram os povos que não olharam com bons olhos para os anos bissextos, que consideravam prenúncios de mau agouro e anos capazes de fazer abater calamidades como inundações ou guerras sobre a sociedade.
TRADIÇÕES
Em algumas zonas do globo, os anos em que Fevereiro tinha mais um dia deram origem a tradições curiosas. Na Escócia, por volta de 1288, sempre que o ano fosse bissexto as mulheres podiam escolher de entre os solteiros o que queriam para maridos.
PIONEIRO
Portugal foi dos primeiros países a aceitar a mudança introduzida pelo Papa Gregório XIII, à semelhança de Espanha, Itália e a região católica da Polónia. O resto do Mundo levou algum tempo a pôr em prática a alteração, que eliminou dez dias do calendário.
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