O mundo da moda está em estado de choque. O estilista José Carlos morreu aos 53 anos, vítima de enfarte. Portugal conhecia-o pelo talento criativo e por ter revelado manequins como Yolanda ou Sofia Aparício.
O drama começou na segunda-feira, quando o estilista se sentiu mal pela primeira vez e teve de ir ao Hospital Egas Moniz. Voltou para casa mas as dores continuaram, como nos conta o amigo de longa data Carlos Castro: “Hoje de manhã, o Zé teve um enfarte e foi para Santa Marta, onde morreu às duas da tarde. Foi fulminante.”
O cronista conta-nos ainda que, nos últimos tempos, José Carlos andava triste, sentia-se abandonado.
“Isto é irónico. O Zé era um génio, mas estava esquecido. Neste País, as pessoas com talento são muitas vezes postas de lado. Eu estava a planear uma homenagem ao Zé Carlos, no Palácio da Regaleira, em Sintra, e ele estava bastante animado... Mas a homenagem vai para frente, claro.”
Para a frente era palavra de ordem que se impunha a quem com ele trabalhava, caso de Fátima Mendes, ex-responsável pelo departamento de eventos especiais do CM, com quem produziu e realizou durante mais de dez anos o concurso Miss Portugal. “Entusiasta e incansável, é como me lembro dele. Começou por fazer os vestidos de noite das candidatas, formou depois um gabinete de imagem com outros profissionais e passou a assegurar toda a produção do concurso”, disse.
UMA VIDA DEDICADA À BELEZA
Nascido em Angola em 1950, foi aí que José Carlos iniciou a sua carreira como cabeleireiro aos 16 anos. Começou a criar os seus primeiros modelos no ateliê da mãe do estilista Paulo Matos, mas rapidamente arranjou gabinete próprio em Lisboa e entrou como um relâmpago na Alta Costura, em 1978. A par dos seus modelos, criou ainda linhas de cabelos, maquilhagem, acessórios – foi dos primeiros a ver a moda feminina como um todo, embora ele próprio se vestisse sempre de preto integral. Teve por mestres Valentino e Gian Franco Ferré, trabalhou em televisão e teatro, sendo responsável pela imagem de famosos como Catarina Furtado e Herman José. Há cerca de cinco anos, um incêndio destruiu completamente o seu ateliê e foi a cabeleireira Marina Cruz que lhe deu a mão.
“O Zé Carlos foi um dos grandes estilistas nacionais, tinha um talento monstro e foi fundamental na minha carreira. Se tivesse nascido noutro país, tenho a certeza de que faria nome internacionalmente. Estou completamente chocada. Considerava-o imortal.” Yolanda, ex-manequim
“Eu passei da teoria à prática com o Zé, a quem carinhosamente chamava o meu mestre. Estagiei no seu ateliê quando acabei o curso mas tudo o que aprendi de profissionalismo, criatividade e método foi com ele... Fica-nos a obra para matar a saudade!” Paulo Azenha, Estilista
“Conhecia o Zé Carlos há uns 12 anos. Não eramos íntimos. Nunca trabalhámos juntos. Gostava dele. No mundo da moda tenho a certeza de que toda a gente gostava dele, do seu imenso sentido de humor... Não estou a dizer isto porque ele morreu. Era verdade”. Fátima Lopes, Estilista
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