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Morta à facada por namorado ciumento

Sufocada por três anos e meio de namoro possessivo, dentro e fora da escola, já não restava saída à jovem Sara, com 16 anos. Acabou tudo no Domingo de Páscoa. Mas dois dias sozinho levaram Pedro, de 19 anos, ao desespero – e, na terça-feira à tarde, atraiu Sara ao seu carro para a última conversa, em Caxias, arredores de Lisboa. Esfaqueou-a até à morte, abandonou-a dentro do carro e lançou-se à linha do comboio. Está internado em coma.

20 de abril de 2006 às 00:00

Muitos sabiam da “obsessão” de Pedro Monteiro por Sara Costa, mas o desfecho apanhou amigos e colegas de surpresa. O crime deixou duas famílias em estado de choque, quando a brigada de homicídios da PJ lhes bateu à porta.

Pedro e Sara eram namorados e colegas de carteira do 11.º ano, na escola secundária de Paço de Arcos. Mas “ela já não o suportava”, disse ao Correio da Manhã Ana Luz, de 17 anos, amiga de Sara e antiga colega de turma. “Ele era bastante ciumento, ao ponto de se tornar agressivo. Não a deixava falar com as amigas, dançar nas discotecas ou usar ‘tops’ no verão”. Ana foi da turma da Sara durante dois anos. “Assisti a várias cenas de ciúmes e discussões, só não sabia que ele lhe batia”, garante.

No Domingo de Páscoa, dia em que Sara se encheu de coragem e pôs termo ao namoro, contou à mãe e à irmã que Pedro a tratava mal. “Dava-lhe estalos e puxava-lhe os cabelos”, recorda ao CM Anabela Costa, a mãe, inconsolável.

Pedro “não tinha muito bom ambiente familiar” e “passava a vida” em casa de Sara, na zona de Paço de Arcos. “Até parecia um miúdo normal, era muito bem tratado por nós e refugiava-se aqui. Nunca pensei que ele fosse capaz de fazer uma coisa destas à minha filha”.

Pedro e Sara ainda foram ao cinema na sexta-feira à noite e separaram-se como se nada se passasse. No dia seguinte, Sara telefonou ao namorado e pediu-lhe que fosse a sua casa. “Disse-lhe que já não gostava dele, que queria acabar tudo e pediu-lhe que se fosse embora”, diz ao CM Alzira Fonseca, 60 anos, avó de Pedro Monteiro.

O jovem de 19 anos passou dois dias “desorientado, só dizia que não aguentava a dor” e não foi dormir a casa, em Caxias. Terça-feira foi o primeiro dia de aulas e Pedro não foi à escola. Arrancou no seu carro, um Volkswagen Polo, e encontrou Sara, na paragem do autocarro, pouco passava das 15h30.

Escolheu um local pouco movimentado, “no Bairro de Sá Carneiro”, puxou de uma faca e matou a ex-namorada. Depois, partiu a pé para a estação de Caxias e lançou-se em voo à passagem de um comboio. Foi colhido, ficou “desfigurado” e está em coma no hospital.

"O PEDRO TEM BOM CORAÇÃO"

Pedro Monteiro e a irmã, Sandra, foram criados com a avó, Maria Alzira Fonseca, de 60 anos. Ontem, quando o CM a encontrou à porta de casa, em Caxias, Maria Alzira estava destroçada e recordava o “rapaz calmo, com muito bom coração e educado” que sempre conheceu. “Ele estudava e trabalhava no Carrefour, toda a gente gostava dele. Nunca foi agressivo, nem revelou este tipo de tendências”.

Segundo a avó, “o Pedro estava em desespero há dois dias e não soube lidar com a dor que sentia”. Até pediu à avó e à irmã que tentassem demover a namorada. “Mas a Sara estava decidida”, diz a avó.

MEDO DE FACAS

Pedro Monteiro esfaqueou a ex-namorada até à morte, mas, segundo a avó, “ele até tinha medo de facas”. E, quando esteve em casa, terça-feira de manhã, não terá saído “com nenhuma faca escondida, porque não falta nada na cozinha”. A arma do crime está na posse da Polícia Judiciária.

A FAMÍLIA

Pedro Monteiro, 19 anos, e a irmã Sandra, de 22, perderam a mãe “muito novos” e o pai está “desaparecido”, disse ao CM a avó, Alzira Fonseca. Os dois irmãos “foram sempre criados” com os avós, em Caxias.

INVESTIGAÇÃO

A Polícia Judiciária não revelou às duas famílias quaisquer pormenores sobre o crime. E, até ontem à tarde, apenas os inspectores conheciam o local exacto onde Pedro parou o seu carro, um Volkswagen Polo, e matou Sara com uma faca.

COMA PROFUNDO

Depois de matar a ex-namorada, Pedro tentou o suicídio na linha do comboio. Foi colhido por uma locomotiva, cerca das 16h00, e está internado “em coma profundo” no Hospital de São Francisco Xavier, Lisboa.

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