O motorista de transporte público de passageiros, da empresa Valpi, anteontem detido pela GNR de Penafiel com mais de três gramas de álcool por litro de sangue, não compareceu nos serviços do Ministério Público (MP) e passou a noite no serviço de urgência de psiquiatria do Hospital de São João, no Porto.
O Correio da Manhã sabe que o motorista deu entrada às 20h30 no Hospital do Vale do Sousa, onde lhe foi diagnosticada uma intoxicação por álcool. Sem urgência de psiquiatria em Penafiel, o homem foi então encaminhado para o Hospital de São João, no Porto.
Fonte familiar garantiu que o homem não é alcoólico, e que a elevada taxa de álcool terá sido potenciada por ingestão de antidepressivos. “Já há várias semanas que ele andava em baixo e tomava uns comprimidos”, adiantou a referida familiar ao CM. Também vizinhos e amigos descrevem-no como uma pessoa calma, não muito dada à bebida.
A fonte do agregado familiar ainda explicou ao CM que o homem não terá culpa do acidente e que possivelmente não se terá apercebido do toque, dada a diferença dos veículos.
Recorde-se que a detenção do motorista à entrada da garagem Valpi, noticiada ontem pelo CM, aconteceu algum tempo depois de um pequeno acidente de trânsito numa estrada municipal em Sampaio da Portela, quando transportava passageiros.
O autocarro que conduzia faz serviços regulares de transporte de passageiros no concelho de Penafiel e também transportes escolares durante o ano lectivo. José Mendes da empresa Valpi, garantiu que a direcção vai abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do caso.
Agora o motorista, natural de Peroselo, além de ter de responder pela infracção ao Código da Estrada, poderá ser acusado pelo Ministério Público (MP) de desobediência à justiça. No entanto, é natural que o facto de ter estado internado justifique a sua ausência no Tribunal de Penafiel, ontem de manhã.
Refira-se que após ter sido detido, e de acordo com a lei, foi posto em liberdade já notificado para comparecer ontem de manhã no Tribunal. O MP aguardou até às 10h30 pela chegada do motorista, sem que o homem aparecesse. Agora tem dois dias para o fazer.
EMPRESA FAZ 30 TESTES POR MÊS
Por ter faltado à audiência no Tribunal de Penafiel, ontem de manhã, ao que tudo indica de forma involuntária, o motorista evitou o processo sumário e a apreensão imediata da licença de condução.
Entretanto, o homem, que é profissional há mais de 15 anos, nunca tinha sido apanhado com excesso de álcool e mesmo internamente, tinha sido fiscalizado há dois meses pelos serviços da empresa.
O director comercial da Valpi garantiu ao CM que a transportadora de passageiros faz 30 fiscalizações aleatórias mensais. “A firma conta com 160 motoristas e por ser uma empresa certificada tem obrigação de proceder a essas fiscalizações”, adiantou ao CM, José Mendes que também garantiu que “o caso não passa de um acto isolado”.
O motorista, que vai ser alvo de um processo disciplinar, trabalhava na Valpi há cerca de um ano e era visto como um profissional experiente.
Entretanto o Sindicato Nacional dos Motoristas também disse que “este caso é meramente pontual e que não reflecte a classe trabalhadora”, mas critica a empresa, dizendo que “a entidade empregadora sujeita os seus profissionais a condições de trabalho precárias, por vezes desfavoráveis”.
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