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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Na fila pelos milhões

Muitos foram os portugueses que não abandonaram o velho hábito nacional de deixar tudo para a última hora – e só depois das 18h00 é que jogaram no Euromilhões.

23 de julho de 2005 às 00:00

Resultado: um pouco de Norte a Sul do País formaram-se filas de apostadores para participarem no maior jackpot de sempre atribuído num loto na Europa e cujo prémio final rondou os cerca de cem milhões de euros.

No El Corte Inglés, em Lisboa, a fila foi engrossando na meia hora final, chegando a atingir as duas dezenas de pessoas. Também na papelaria Luso Império, na Avenida Conde Valbom, em Lisboa, foram “muitos que jogaram à última hora”, segundo disse ao CM, Lucília Lavrador, proprietária do estabelecimento.

PORTUGUESES SOLIDÁRIOS

Sobre o que fazer de um prémio que coloca o totalista a meio da tabela dos cem mais ricos de Portugal, a maioria dos apostadores ouvidos pelo CM confessou que não sabe o que fazer a tanto dinheiro, colocando nas prioridades ajudar os amigos e familiares.

Paulo Gonçalves, natural de Braga, e vendedor em Lisboa, é um exemplo dessa atitude. “Não sei bem o que fazia a tanto dinheiro, mas ajudava a muita família que tenho no Norte e depois ia fazer umas longas férias”, disse.

“Férias”, quando estamos no Verão com temperaturas acima dos 30 graus, foi também o desejo imediato expresso por Paulo Piteira, 30 anos, de Odivelas, que guardava no bolso os números da sorte que lhe foram ditos pela namorada. “Oxalá acerte, será muito bom para os dois”, acrescentou.

Olhando para o relógio, quando faltavam quinze minutos para as 19h00 (hora de fecho dos terminais) Carla Rute, de 42 anos, avançou na brincadeira enquanto aguardava na fila: “Estou à espera dos milhões”. “São cada vez mais as mulheres e jovens a jogar”, sublinhou Lucília Lavrador, que confirmou que o loto europeu cativa pessoas que habitualmente não apostavam nos jogos da Santa Casa.

Perante um prémio base de 96 milhões de euros, muitos portugueses jogaram forte no Euromilhões. Lucília Lavrador precisou que na sua “loja foram várias as pessoas que jogaram de uma forma individual quantias na ordem dos 500 a mil euros”. Valores também confirmados por Paulo Cipriano, Chefe de loja da Casa Campião, na Baixa de Lisboa.

Portugal lidera a febre de jogar no Euromilhões. Desde Outubro passado, mês em que o loto europeu foi introduzido no nosso país, as receitas nacionais totalizam 590 milhões de euros. Em França foram jogados 573 milhões e em Espanha 530 milhões.

Ontem às 15h00, 26 milhões de euros tinham já sido jogados, disse Lourdes Hill, administradora delegada do Departamento de Jogos da Santa Casa. A vontade de vencer é tal que países como a Inglaterra, tradicionalmente mais “frio” neste jogo, registou ontem um aumento de dez por cento nas apostas.

CORRIDA DÁ RECORDE DE RECEITAS

Nunca os portugueses jogaram tanto. Ao fecho dos terminais de jogo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foram apuradas receitas de 36,5 milhões de euros. Este valor representou um crescimento de 20 por cento face à última semana, quando tinha já sido batido o recorde de receitas no nosso país no Euromilhões.

No total foram realizadas 18,5 milhões de apostas em Portugal, o que nos coloca na linha da frente entre os países que mais jogaram acompanhados de Espanha e França. A forte afluência de apostadores no último dia de jogo no Euromilhões e em especial na última hora, não provocou, no entanto, maior lentidão ou bloqueio dos terminais dos cerca de 4500 mediadores espalhados pelo País.

Já na internet, segundo apurou o CM, junto da Santa Casa, as apostas decorreram com grande lentidão. Apesar do sucesso da operação a Santa Casa aconselha as pessoas a não deixarem para a última hora a possibilidade de jogar. Em Portugal, cada jogador apostou em média perto de sete euros. Tendo em conta os 10,5 milhões de portugueses as receitas obtidas dão cerca de 3,5 euros por pessoa.

ENCHENTE EM MOREIRA DE CÓNEGOS

Em Moreira de Cónegos, Guimarães, terra natal dos primeiros euromilionários Paulo Pereira e Domingos Oliveira, que em 2004 foram contemplados com 43 milhões de euros, registou-se ontem uma desenfreada corrida ao Quiosque Fandino, onde foi registada a aposta milionária.

Ao longo do dia, milhares de apostadores fizeram fila em frente ao estabelecimento de Joaquim Pereira, que perante o excesso de procura, se viu obrigado a prescindir da hora de almoço e a colocar um aviso na porta, informando que “hoje apenas se efectuam registos”.

“Tem sido uma loucura! A afluência foi fantástica durante toda a semana, mas hoje superou todas as expectativas. As pessoas vêm de todo o lado porque acham que a casa lhes vai dar sorte”, revelou Joaquim Pereira.

Aparentemente alheios a esta enchente, os milionários Paulo Pereira e Domingos Oliveira, vivem uma vida discreta em Moreira de Cónegos e são parcos em ostentar sinais exteriores de riqueza. Ao que o CM apurou, “ambos deixaram de trabalhar, mas vivem uma vida simples”.

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