No Santuário de Fátima e na Sé de Viseu viveram-se ontem momentos de grande emoção com as cerimónias de despedida dos Administradores Apostólicos. O bispo de Leiria, D. Serafim Ferreira, vai ser substituído por D. António Marto, que abandona Viseu.
Idalina Sousa, 56 anos, abre um saco de plástico com três pequenas imagens da Virgem Maria e levanta-o na direcção do Altar do Santuário de Fátima. Veio da Cova da Piedade, nos arredores de Lisboa, em peregrinação e, sem o prever, as suas ‘santinhas’ receberam a última bênção dada por D. Serafim Ferreira e Silva na Cova da Iria, enquanto bispo da diocese de Leiria-Fátima.
O prelado despediu-se ontem dos peregrinos, ao presidir pela última vez a uma eucaristia dominical internacional, na qualidade de bispo responsável pela diocese.
Foi uma despedida simples, a condizer com os gostos do prelado, mas muito sentida e dirigida para as missões, que é um tema muito caro a D. Serafim Ferreira e Silva.
Aproveitando a presença de milhares de fiéis integrados na 40ª Peregrinação Aniversária dos Missionários da Boa Nova, o bispo orientou a sua homilia para a falta de vocações.
“A Humanidade precisa da Igreja e a Igreja precisa de missionários”, afirmou D. Serafim Ferreira e Silva, pedindo aos cristãos mais coerência “na vida e na fé”. Não basta lamentar que há violência, que há pessoas a morrer de fome e depois “ficar sentado no sofá a ver o campeonato de futebol”. É preciso “agir” para “alcançarmos um reino de paz e de verdade”, referiu.
No final da celebração, D. Serafim acenou com a mão aos peregrinos que o agraciavam com uma salva de palmas e garantiu que este não era um adeus definitivo. “Não vos estou a dizer um adeus, mas um até breve”.
O bispo deslocou-se então para a Capelinha das Aparições, onde recebeu os cumprimentos individuais dos crentes, pelo ministério que exerceu em Fátima.
À saída, os peregrinos recebiam um desdobrável com uma mensagem de despedida, assinada por D. Serafim.
A recepção ao novo bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, está prevista para o próximo domingo, dia 25, às 16h30, na Sé de Leiria. Em antecipação, D. Serafim pediu aos diocesanos: “Neste primeiro ano de projecto pastoral sobre o acolhimento, peço-vos para receberdes bem o novo bispo, prestando toda a colaboração e fazendo sincera comunhão”.
D. Serafim Ferreira e Silva nasceu em Santa Maria de Avioso, Maia, Porto, há 76 anos. Foi ordenado sacerdote em Agosto de 1954 e nomeado bispo em Abril de 1979. Em Maio de 1987 foi escolhido para coadjutor da diocese de Leiria-Fátima, após uma passagem pela diocese de Lisboa, sendo empossado como bispo residencial em Fevereiro de 1993. É diplomático e costuma dizer que gosta de ser quem é e fazer o que tem a fazer.
"LEVO-VOS A TODOS NO MEU CORAÇÃO"
Foi com um misto de “alegria e tristeza” e com os olhos inundados de lágrimas que D. António Marto se despediu ontem à tarde dos fiéis da Diocese de Viseu. Numa cerimónia simples mas emotiva e plena de simbolismo, o futuro bispo de Leiria-Fátima agradeceu “a todas as pessoas” a forma como o trataram durante os dois anos em que esteve à frente dos destinos daquela diocese.
“Levo-vos a todos no meu coração”, exclamou, com as duas mãos erguidas ao céu, D. António Marto, afirmando estar “muito feliz e satisfeito” pelo trabalho realizado “em dois anos cobertos de afectos e alegria”.
D. António Marto presidiu ontem pela última vez à missa dominical na Sé de Viseu, que foi pequena para albergar tanta gente. No cortejo litúrgico antes da cerimónia, D. António Marto acenou, em sinal de adeus, um gesto que emocionou grande parte da comunidade.
No prefácio cerimonial coube ao vigário-geral da diocese viseense, monsenhor Sílvio Henriques, fazer as honras da despedida. Considerou o trabalho de D. Marto como “completo e perfeito” para depois dar um dado histórico: “Pela primeira vez, em 1500 anos de história, esta diocese vê partir o seu bispo sem ser por invalidez ou morte. E só se passaram dois anos”. D. António Marto manteve-se calmo e pensativo, mas não segurou as lágrimas quando o vigário-geral se referiu a Nossa Senhora de Fátima e ao Papa Bento XVI como “os grandes ‘culpados’” da sua transferência para Leiria.
Na homilía, D. António Marto, que à sua direita tinha o padre Ilídio Leandro – o prelado que o vai substituir em Viseu – usou o humor para descrever o seu percurso desde que, em 2000, foi ordenado bispo. “É uma missão de fé”, disse.
Antes e após a cerimónia, o bispo foi cumprimentado por dezenas de fiéis e admiradores. Maria Cecília, de 56 anos, fez questão de ser das últimas a entrar na Sé “só para cumprimentar um grande homem”. “Um mensageiro de Deus”, disse Manuel Pinto. A eles, D. António Marto recordou Santo Agostinho: “Não se deixa com dor aquilo que se conquistou com amor”. Leiria-Fátima é, segundo ele, “mais uma etapa”.
D. António Marto, 59 anos, é natural de Tronco (Chaves) e foi ordenado padre em Roma, em 1971. Ali se especializou em Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade Gregoriana. A sua tese de doutoramento teve por tema ‘A esperança cristã e o futuro do homem. Doutrina escatológica do Concílio Vaticano II’. Regressou a Portugal em 1977 para se dedicar à formação no Seminário do Porto. Em 2000 foi nomeado bispo auxiliar de Braga, de onde saiu há dois anos para ser titular da diocese de Viseu. É conhecido como pessoa de bom senso e firme nas decisões.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.