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NÃO SE APROVEITA NADA

Segurando uma pequena caixa, Sandra Guerreiro olha, desanimada, para os destroços da papelaria que até à noite de sexta-feira geriu no Centro Comercial Sol Pôr, no Barreiro. A explosão, que deixou em escombros todo o shopping, tirou-lhe, por tempo indeterminado, o seu meio de subsistência. "A violência foi grande. Não se aproveita nada", lamentou, entristecida.

21 de março de 2004 às 00:00

O forte rebentamento, ocorrido pelas 21h15 de anteontem no centro comercial da Avenida Alfredo da Silva, não foi, durante grande parte desse dia, antecedido por qualquer sinal preocupante. "Fechei a loja pelas 18h30, e a essa hora não havia nada de especial", acrescentou a comerciante.

CHEIRO INTENSO

As suspeitas só começaram a surgir pouco depois das oito da noite, altura em que um crescente cheiro a gás inundou corredores e lojas do centro Sol Pôr.

Por precaução, foram de imediato chamados ao local os Bombeiros Voluntários do Barreiro (BVB), que evacuaram e encerraram a superfície comercial.

No entanto, apesar da pronta intervenção dos meios de socorro, o imprevisto acabou mesmo por acontecer. "A sorte que evitou uma grande tragédia foi a explosão ter rebentado com tudo para os lados, e não para cima. Apesar de haver a lamentar danos em quinze carros, podiam ter acontecido várias mortes", opinou a mesma lojista.

Cinco pessoas - duas bombeiras e três comerciantes do centro comercial - sofreram ferimentos ligeiros, tendo sido, por precaução, transportados ao Hospital do Barreiro, de onde tiveram alta poucas horas depois.

Ontem, contactado pelo nosso jornal, o responsável máximo pelos meios de socorro no local enfatizou o papel dos técnicos da câmara do Barreiro nos minutos que se seguiram à explosão. "A vistoria feita por um engenheiro civil da autarquia, que não encontrou danos estruturais no prédio do shopping, serviu para, dentro do possível, tranquilizar as pessoas", explicou o 2.º comandante dos BVB, Domingos Coelho.

A primeira análise feita aos destroços do shopping permitem, de acordo com o responsável, "concluir que a explosão foi provocada por uma fuga de gás de uma botija, instalada num restaurante do centro".

"Segunda-feira [amanhã] deslocar-se-á ao centro comercial uma equipa de investigação de acidentes do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, que acrescentará mais dados", concluiu.

GÁS ASSUSTA EM SETÚBAL

Uma invulgar concentração de gás propano, causada por uma fuga detectada em instalações da Petroga, perto do Bairro da Bela Vista, em Setúbal, obrigou os técnicos de Serviço Municipal de Protecção Civil (SMPC) a trabalho suplementar, na quarta e quinta-feira.

O problema foi detectado antes da hora de almoço de quarta-feira por técnicos da PT que inspeccionavam caixas de derivação na Avenida de Belo Horizonte. "Pensou-se na altura que se tratava de uma concentração de gás metano, que podia ter várias origens. Os técnicos fizeram logo a ventilação do local", referiu ao CM o coordenador do SMPC de Setúbal, José Luís Bucho.

Elementos da Companhia de Sapadores Bombeiros foram enviados ao local, tendo o trânsito na Avenida de Belo Horizonte sido cortado pela PSP. Inspecções no local verificaram tratar-se de uma fuga de gás propano que, pelas 23h00 de quinta-feira, foi dada como resolvida.

ESTEVE PERTO TRAGÉDIA NO CACÉM

A tarde começou com inferno. Faltavam quinze minutos para as 16h00 de 15 de Agosto de 2002 quando um primeiro rebentamento abalou a Avenida dos Missionários, no centro do Cacém. Em pouco tempo seguiram-se mais duas explosões que deixaram os moradores daquela artéria a questionar-se sobre o que se tinha passado.

Quando o pânico acalmou, todos se aperceberam de que na origem do grande susto, que acabou por não causar feridos, estiveram três explosões ocorridas no interior de um contentor usado pelos trabalhadores da empresa Refer, numa obra realizada no local. Segundo se apurou então, registou-se uma fuga de gás propano ou butano no tubo de ligação de uma botija a um fogão de cozinha instalado dentro do contentor, que teve como detonador uma faísca provocada pelo motor de um frigorífico.

Oitenta habitações acabaram por sofrer danos de diversa ordem. "Esteve perto de uma tragédia", falou-se então no local.

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