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“Não vou voltar a julgar"

Aos 51 anos, Conceição Oliveira não vai "voltar a fazer julgamentos". A juíza que mandou prender o ex-dirigente do Benfica, Vale Azevedo, e os principais dirigentes da Universidade Moderna sofre de doença bipolar, o que lhe altera a disposição. "Tomo antidepressivos, ansiolíticos e comprimidos para dormir. Não tenho condições", diz a magistrada do 4º Juízo Criminal de Lisboa. <br/><br/>

24 de agosto de 2008 às 00:30

No próximo mês, porém, regressa ao trabalho, depois da recusa da Caixa Geral de Aposentações em a reformar por invalidez. A doença de Conceição Oliveira é um distúrbio de humor caracterizado pela variação extrema de personalidade entre uma fase de hiperactividade e grande imaginação, e uma fase de depressão e lentidão nas ideias.

A Junta Médica reconhece que Conceição Oliveira é bipolar, mas entende que a juíza pode voltar ao trabalho e meter baixa quando se sentir deprimida. A juíza defende, no entanto, não ter condições para uma "profissão desgastante". O Conselho Superior da Magistratura deu-lhe razão e nomeou uma juíza--auxiliar para fazer julgamentos.

Quando voltar ao tribunal, após um ano de baixa, a juíza diz não saber bem o que irá fazer. Irá trabalhar na preparação de processos "possivelmente a elaborar despachos saneadores" que fixam o que está provado em julgamento.

Ao fim de 23 anos na Justiça, a mediática juíza que fez disparar as audiências televisivas com uma entrevista sobre o caso Moderna – o que lhe valeu um processo disciplinar – diz estar "esgotada" depois de cinco ano a tentar conciliar a doença com o trabalho. Quando concluiu o processo de instrução da Moderna referiu: "A minha vida recuperou o equilíbrio, mas nunca mais voltei a ser a mesma pessoa. A sensibilidade passa a ser outra, como se por mim em vez de passarem dois anos tivessem passado 20."

Em Maio do ano passado decidiu parar: "Um ódio inédito aos arguidos no processo da morte de um bebé no Hospital Amadora-Sintra fez-me pensar que tinha de parar. A juíza pretende agora publicar um livro de ficção sobre o que viveu na Justiça .

JUÍZA MEDIÁTICA

CLÃ BRAGA GONÇALVES

Em 2001, juíza ordenou a prisão preventiva para quatro dos arguidos do caso Moderna – os irmãos José e João Braga Gonçalves, Esmeraldo Azevedo e José Vitoriano.

VALE AZEVEDO PRESO

Em Agosto de 2001, juíza no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, decreta a prisão preventiva do ex-presidente do Benfica, Vale Azevedo, por perigo de fuga.

MORTE DE BEBÉ

Juíza pede escusa em Maio de 2007 no processo em que pais acusam dois médicos do Amadora-Sintra por esmagarem crânio de bebé no parto.

RUSGA NO CAIS DO SODRÉ

Levantou polémica a detenção da juíza numa noite no Cais do Sodré, aquando de uma rusga na zona de prostituição.

ABORTO AOS 17 ANOS

Em Novembro de 2004, juíza absolve uma menor acusada de abortar por ingestão de medicamento. Afirmou então: "Aos 17 anos ainda se é uma menina nas coisas da vida."

 

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